Sumário
Requerimento para impressão da tragédia Os macabeus (7 de Janeiro de 1798), com o parecer do censor régio (22 de Dezembro de 1798) e registo do despacho (8 de Janeiro de 1799)
Ano
1799
Biblioteca/Arquivo
Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Cota
Real Mesa Censória, caixa 35, doc. 61
Manda a rainha nossa senhora que o censor régio, João Guilherme Cristiano Muller, veja este Livro, com seu parecer o remeta a esta Mesa.

Lisboa, a 22 de Dezembro de 1798

 

                        XXXX                                    XXXX

 

 

Diz João Baptista Gomes Júnior que ele pretende fazer imprimir a obra intitulada Os Macabeus, tragédia, e como o não pode fazer sem permissão, pede a Vossa Majestade seja servida assim permiti-lo à vista do original.

Espera recebe mercê.

 

Imprima-se e torne por despacho de 8 de Janeiro de 1799


Senhora,

 

Representando-se, pela primeira vez em Paris, no princípio deste século, a tragédia de que trata a Portaria retro, e cuja versão portuguesa examina por ordem de Vossa Majestade, tomaram-[n]a alguns dos pretendidos conhecedores por alguma obra póstuma do famigerado Racine; só João Baptista Rousseau logo reconheceu, no estilo florido e em algumas facécias nimiamente buscadas, o génio de seu verdadeiro autor. Que é também o de uma outra intitulada Dona Inês de Castro, Houdar de la Motte, ainda que, em qualidade de censor famoso de seu tempo, se lhe repreendeu a sua demasiada indulgência acerca de algumas das primícias da musa de Voltaire, certamente nas suas próprias composições não se permitão, cujos merecimentos várias vezes se tem deslustrado, declarando-o por uma mera colecção de pios Madrigais, e de lugares comuns morais, escritos com mais


estudada e refinada agudeza, do que força, elevacão, e calor de espírito. Tudo isto são provas em abono da pureza dos princípios da dita peça, e de que a sua divulgação em idioma português nunca se poderá reputar, com algum fundamento, como abonaria a boa ordem civil e doméstica. Tendo, além disso, a presente tradução merecimento pouco comum, sou do parecer que bem merece a graça que se suplica a seu respeito. Vossa Majestade, porém, ordenará o que for servida. Lisboa, 7 de Janeiro de 1799.
 
João Guilherme Cristiano Müller
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Manda a Rainha Nossa Sinhora que o Censor Re=

                                                   senhora

gio João Guilherme Christiano Muler veja es

te Livro com seu parecer o remeta a esta Meza

Lx.ª a 22 de Dezembro de 1798

 

                        XXXX                                    XXXX

 

 

Diz João Baptista Gomes Junior que elle

pertende fazer imprimir a obra intitulada os

Macabeos, Tragedia; e como o não pode fazer sem

permissão.

 

 

                                                P a V. Mag.de seja servida

                                                aSim permitilo a V.ta do

                                                original

 

 

 

Imp. e torne p.desp.º de 8 de

Janr. de 1799

 

                                                E R.ce M.ce

 

                                                Senhora


                                                Senhora,

 

Representando-se pela primeira vez, em Paris no

principio deste Seculo a Tragedia, de que trata a Portaria

retro, e cuja Versão Portuguesa examina por ordem de Vos.ª

Mag.de, tomarão-a alguns dos pretendidos  conhecedores por

Alguma Obra = Posthuma do famigerado Racine; só João

Baptista Rousseau logo reconheceo no estylo florido, e

em algumas facecias nimiamente buscadas o genio de seu

verdadeiro Autor: que he tãobem o de huma outra inti-

tulada D.na Ignes de Castro   Houdar de la Motte,

ainda, que em qualidade de Censor famoso de seu tem-

-po, se lhe reprehendeo a sua demasiada indulgencia a

cerca de algumas das premicias da Musa de Voltaire,

certamente, nas suas proprias composições não se permet-

-tão, cujos merecimentos varias vezes se tem deslustrado,

declarando-o por huma mera collecção de pios Ma-

-drigaes, e de lugares communs moraes, escritos com mais

                                                                        estudada


Estudada, e refinada agudeza, do que força, elevacão, e

calor de espirito.... Tudo isto são provas em abono

da pureza dos principios da dita Peça, e de que, a

sua divulgação em idioma Portuges, nunca se poderá

reputar, com algum fundamento, como abnaria a boa ordem

civil e domestica. Tendo, alem disso, a presente Traducção

merecimento pouco commum, sou do parecer, que bem

merece a graça que se supplica a seu respeito; Vos.ª

Mag.de porem ordenerá o que for Servida. Lisb.ª 7 de

Janeiro, de 1799.

 

 

                                   João Guilh.me Christ.º Muller