Sumário
Notícia sobre os festejos celebrativos do nascimento da princesa do Brasil em Vila Alva (3 de Agosto de 1793)
Ano
1793
Comentário
Reproduz-se o exemplar do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Real Mesa Censória, caixa 468).
Impresso

Segundo suplemento à Gazeta de Lisboa, nº XXXI, 3 de Agosto de 1793. Lisboa, régia oficina tipográfica

Segundo suplemento à Gazeta de Lisboa

Número XXXI

Com privilégio de sua majestade

Sábado, 3 de Agosto de 1793

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Lisboa, 3 de Agosto

 

Logo que a Vila Alva chegou a feliz notícia do parto da princesa nossa senhora, expedida pelo corregedor da comarca de Beja, o Senado e um cavalheiro daquela Vila, Manuel António de Mira Cabo Coelho Perdigão, depois de darem os parabéns uns aos outros, passaram todos às casas da Câmara, donde se deitou um fogo de vistas com amiudados repiques de sinos a que o povo acudia com alvoroço, dando alternados vivas, para mostrar o júbilo que em todos excitava tão apetecida notícia. Logo depois se foi falar ao pároco daquela freguesia para no dia seguinte se cantar missa, e Te Deum em acção de graças; e o Senado mandou imediatamente deitar bando para três dias de luminárias, que gostosamente se puseram, excedendo a todas as do sobredito cavalheiro, cujo palácio, iluminado todo de cera, por ser o melhor daquela terra e ficar em sítio elevado, fazia uma maravilhosa vista. Em uma daquelas noites fizeram os moradores mais distintos da vila uma vistosa encamisada, montados todos em soberbos e bem ajaezados cavalos, repetindo conceituosas obras poéticas, em que se especializou o sobredito cavalheiro. Seguio-se a esta encamisada um carro triunfal, com instrumentos músicos, acompanhado de todo o povo que, com repetidos vivas, mostrava a sua grande alegria. Por se não poder executar logo toda a festividade ficou o resto dela reservado para 13 de Junho, em cujo dia cantou a missa o reverendíssimo pároco da mesma freguesia, com o santíssimo sacramento exposto, sendo orador o R. cura da matriz de Portel, frei Francisco Luís de Oliveira e Silva. De tarde, depois de vésperas, recitou o reverendíssimo padre mestre frei António da Paixão Abranches, religioso paulista, uma oração não menos eloquente do que a de manhã, sendo geral a satisfação do numeroso e luzido auditório, que se compunha de toda a câmara, do ouvidor daquelas vilas e de todas as pessoas de distinção da terra. Finalizou naquela noite o festejo com uma boa e bem representada comédia, que encheu de alegria todo aquele povo, sendo de admirar numa terra muito indigente os gostosos esforços com que todos procuravam mostrar o amor e lealdade que professam à augusta casa reinante.


 

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Lisboa. Na régia oficina tipográfica. 1793.

Com licença da Real Mesa da Comissão Geral sobre o Exame e Censura dos Livros. 

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