Sumário
Notícia sobre as festas, no Porto, para celebrar o nascimento da princesa da Beira (31 de Agosto de 1793)
Ano
1793
Comentário
Reproduz-se o exemplar do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Real Mesa Censória, caixa 468).
Impresso

Segundo Suplemento à Gazeta de Lisboa, nº XXXV, 31 de Agosto de 1793. Lisboa, régia oficina tipográfica.

Segundo Suplemento à Gazeta de Lisboa.

Número XXXV

Com privilégio de sua majestade.

Sabado, 31 de Agosto de 1793

(...)


(...)

Escrevem do Porto que, querendo a Feitoria inglesa daquela cidade realizar a sumptuosa função que tinha projectado fazer pelo feliz nascimento da sereníssima princesa da Beira, no dia 30 de Julho, pelas 8 horas da noite, se convocou na casa pertencente à mesma Feitoria um brilhante ajuntamento que excedia com o número de senhoras a mais de quatrocentas pessoas, tanto de primeira nobreza, como das qualificadas daquela Cidade, animando aquele festivo acto o excelentíssimo Governador-general das armas daquele partido, com a sua digna e respeitável presença, chanceler, Senado da câmara, magistrados, Junta da companhia do XXX, os principais oficiais da Fazenda daquela alfândega, cônsules e XXX pessoas de diversas nações. Divisava-se no delicado ornato das falas um XXX superlativo, assim como na casa destinada para a ceia, formando o seu todo um perfeito bosque à chinesa, e arrematando esta bela perspectiva uma iluminação maravilhosa de jardim, à imitação do Vaux-Hall de Londres (espécie de passeio público que merece a admiração universal). À referida hora se abriram as portas das salas, e logo que apareceu o excelentíssimo Governador, deu-se princípio à função por um concerto de excelente música que a todos deixou satisfeitos. Rompeu-se sucessivamente o baile e, acabados os minuetes, se deu princípio às contradanças, distribuindo-se nos intervalos os mais delicados refrescos. De tempo a tempo tocavam os músicos peças muito harmoniosas e da melhor escolha. Chegada a hora da ceia, passou toda aquela Companhia ao sobredito bosque, onde admiraram o esplendor da mesa, que, além dos mais superlativos ornatos, foi servida com profusão, boa ordem e especial gosto, tendo-se mandado vir quantas iguarias delicadas se podiam imaginar, sem que a distância ou o custo fizesse o mínimo obstáculo. Todo aquele número de pessoas ficou bem acomodado e mostrava completa satisfaçõ. Enquanto durou a ceia, cantaram os melhores cantores da terra uma ode alegórica à sólida amizade e ditosa aliança que reinam entre Portugal e a Grã-Bretanha. Seguiram-se saúdes com as mais vivas demonstrações de aplauso pela prosperidade deste governo e para que o céu difundisse bençãos sem número sobre sua majestade, suas altezas reais, os príncipes do Brasil, princesa da Beira e toda a real família de Portugal. Continuou depois o baile e findou aquela magnífica e alegre função pelas 7 horas da manhã do dia seguinte.

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