- Sumário
- Notícia sobre as festas, em Queluz, para celebrar o nascimento da princesa da Beira (31 de Agosto de 1793)
- Ano
- 1793
- Comentário
- Reproduz-se o exemplar do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Real Mesa Censória, caixa 468).
- Impresso
Segundo Suplemento à Gazeta de Lisboa, nº XXXV, 31 de Agosto de 1793. Lisboa, régia oficina tipográfica.
Segundo Suplemento à Gazeta de Lisboa.
Número XXXV
Com privilégio de sua majestade.
Sabado, 31 de Agosto de 1793
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Relação das festas executadas em Queluz, por ordem do princípe nosso senhor, em aplauso do nascimento de sua augusta filha.
Na tarde do dia 23 do corrente assistiram o princípe e princesa nossos senhores, acompanhados da sua corte, ao divertimento de cavalhadas que executaram 16 cavaleiros, picadores da casa real, luzidamente vestidos e montados em soberbos cavalos magnificamente ajaezados, formando duas turmas com a aparência de se combaterem uma à outra em diversis combates ou jogos, ideados com muito gosto e executados com toda a destreza. Seguiu-se o combate de touros, no qual combatiam quatro dos ditos cavaleiros, que se revezavam sucessivamente por outros quatro, assistidos por oito capinhas e sendo todos muito bem sucedidos. No fim da tarde entraram de novo na praça os 16 cavaleiros e executaram várias e vistosíssimas evoluções que mereceram geral aplauso do luzido e numeroso concurso, que foi admitido àquele divertimento. À noite se viram os passeios da quinta iluminados com lampiões à chinesa, e a fachada do
Palácio, que cai sobre o jardim, com vidros de várias cores e pinturas transparentes que, pela variedade de bem imaginados emblemas e pela acertada distribuição das luzes, oferecia à admiração dos espectadores uma vistosa e delicada pespectiva. Nos lados do jardim havia várias máquinas transparentes que se moviam em roda, mostrando a XX de cada uma diferente pespectiva. Na entrada estavam duas XX; que faziam uma agradável ilusão. No fundo do passeio, em XX mencionado jardim, se achava a cascata que ali há, coberta com pinturas XX, representando as deidades marítimas, e ornada com muitas XX, formando tudo outro prospecto muito vistoso. Entre as árvores, ao pé do XX, havia um grande número de lampiões postos em enfiadas, e sobre o XXX palácio chinês, feito e iluminado com muito gosto, formando uma aprazível e esquisita vista. Neste lugar se ouvia uma orquestra de XX música e doutras partes da quinta ressoava alternativamente XXX de instrumentos de vento. O príncipe e princesa nossos senhores saíram a XX iluminação, passeando por entre as pessoas que ali se achavam, em XXX uma grata impressão esta urbanidade de suas altezas. Logo que chegaram ao novo, aonde estava preparado um balão ou máquina aerostática, XXX esta e partiu iluminada e muito vistosa pelas pintutas transparentes de XXX estava ornada, subindo com o melhor sucesso até se perder de vista. E assim se concluíram os divertimentos do primeiro dia. No seguinte, de tarde, se repetiram as cavalhadas, touros e evoluções, como no dia precedente, assistindo suas altezas reais e sendo geral a satisfação do numeroso concurso que foi admitido a gozar daquele brilhante divertimento. À noite assistiram suas altezas às matinas solenes que se cantaram, acompanhando a música da câmara, na capela do Palácio, oficiando o excelentíssimo principal Hochenloe e assistindo o excelentíssimo principal Cunha. Repetiu-se a iluminação da quinta, como no primeiro dia, a que foram admitidas todas as criadas do Paço e várias outras senhoras de distinção. No domingo assistiram suas altezas à missa, que cantou o mesmo excelentíssimo principal, com a mesma assistência e acompanhamento, recitando um eloquente sermão o reverendíssimo frei João Jacinto, geral dos religiosos paulistas. De tarde assistiram igualmente suas altezas ao Te Deum, que XX o eminentíssimo cardeal patriarca e que cantaram os músicos com o referido acompanhamento, sendo nova e de esquisito gosto a composição da música em toda a função. À noite foi admitido a ver a iluminação um grande número de pessoas de ambos os sexos, aproveitando-se muitas dos refrescos que se haviam preparado. Lançaram-se, com igual sucesso, dois balões iluminados e, algum tempo depois, outro muito volumoso, tendo entre os seus transparentes ornatos as armas de Portugal e Espanha. Esta soberba máquina subiu majestosamente, levando consigo dois círculos de fogo d’artifício que se iluminaram nos ares e foram lançando fogo para todas as partes, fazendo tudo a mais formosa vista que se pode imaginar naquele género de espectáculos. O sucesso de todas as quatro máquinas faz honra a Mr. Bouche, que mostrou, na execução delas, a sua inteligência e habilidade. Seguiu-se um magnífico fogo-de-artifício, que estava preparado na quinta, em que os espectadores acharam muita novidade de bem ideada invenção. Um imenso chuveiro de vistosíssimo fogo do ar concluiu estes divertimentos dignos do alto objecto que se festejava, admirando-se neles a acertada combinação dos espectáculos, a pontualidade na execução deles e a boa ordem que em todos reinou, o que tudo acredita os talentos e providente cuidado do excelentíssimo Marquês de Tancos, encarregado da direcção deste magnífico festejo.
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[Lisboa. Na régia oficina tipográfica. 1793.
Com licença da Real mesa da comissão geral sobre o exame e censura dos livros]