Sumário
Informação sobre pedidos de passaportes por parte dos artistas italianos do Teatro de S. Carlos (28 de Março de 1805)
Ano
1805
Biblioteca/Arquivo
Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Cota
Intendência Geral da Polícia, Livro VIII, ff. 135-135v

1805 

 

Março, 28

 
Ao Ilustríssimo e Excelentíssimo senhor Conde de Vila Verde,

 

A esta intendência geral da polícia têm recorrido alguns cómicos, actrizes e dançarinos, de um e outro sexo, e instrumentistas, que acabaram de trabalhar no Carnaval próximo pretérito, no Teatro de S. Carlos, a pedir-me os seus passaportes, uns deles dizendo que querem ir para Itália, embarcarem sobre uns navios que estão a sair para Génova, e outros dizendo também que querem ir para o Teatro da cidade do Porto.
Igualmente tem vindo à minha presença, repetidas vezes, o empresário que foi do mesmo Teatro, Francisco António Lodi, umas vezes a informar-me voluntariamente por acção própria e dizer-me que uns têm acabado as suas escrituras e que estão na sua liberdade para poderem obter os seus passaportes, e de antemão também a dizer-me que, como se demora a real resolução


de haver ou não Teatro Italiano, lhe era útil que se permitissem os passaportes ainda àqueles que têm escriturado para trabalharem na presente Páscoa, no dito teatro, para ficar desobrigado de lhes satisfazer, até finalizar as mesmas escrituras que convencionou com estes.
Eu como conheço de perto uns e outros, me lembro que seja artifício com os seus fins, como também, por outra parte, conheço ser útil e necessário haver em uma corte, como a de Lisboa, Teatro Italiano decente, não me  tenho deliberado a dar os passaportes, sem que primeiro participe a Vossa Excelência todo o referido, e me ordene o que devo executar, insinuando-me se devo com efeito passar os ditos passaportes àqueles que mos requerem e constam por ele, pois desejo acertar com as reais intenções do príncipe regente nosso senhor sobre o que exponho a Vossa Excelência.
Lisboa.

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Ao Ill.mo e Ex.mo

Março 28        A esta Intendencia Geral da Policia                  S.r Conde de Villa

tem reccorrido alguns Comicos Actrizes,         Verde

e Dansarinos de hum e outro sexo, e

Instrumentistas, que acabarão de traba-

lhar no carnaval proximo preterito

no Theatro de S. Carlos a pedirme os

seos  Passaportes; huns delles dizendo,

que querem hir para Italia, em-

barcarem sobre huns Navios, que

estão asahir para Genova, e outros di-

zendo tambem, que querem hir para

o Theatro da Cid.e do Porto.

Igualmente tem vindo á mi-

nha prezença, repetidas vezes o Em-

presario que foi do mesmo Theatro

Francisco Antonio Lody, humas vezes

a informar-me voluntariamente por

acção propria e dizer-me que huns

tem acabado as suas Escripturas, e

que estão na sua liberdade para po-

derem obter os seos Passaportes, e de

antemão tambem a dizerme, que

como se demora a Real Rezolução


de haver, ou não Theatro Italiano, lhe

era util, que se permittissem os Passa-

portes ainda aquelles que tem Escri-

pturado para trabalharem na prezen-

te Paschoa no dito Theatro, para ficar

desobrigado de lhes satisfazer, athe fi-

nalizar as mesmas Escripturas, que

convencionou com estes.

Eu como conheço de perto huns,

e outros, me lembro, que seja arteficio,

com os seos fins, como tambem por ou-

tra parte, conheço ser util, e necessario

haver em huma Corte como a de Lis-

boa Theatro Italiano decente, não me

tenho deliberado a dar os Passaportes,

sem que primeiro partecipe a V.ª Ex.ª

todo o refferido, e me ordene o que de-

vo executar, insinuandome se devo

com effeito passar os ditos Passaportes

aquelles que mos Requerem, e cons-

tão por elle, pois dezejo acertar com

as Reaes Intençoens do P. R. N. S.

sobre o que exponho a V.ª Ex.ª

Lx.ª