- Sumário
- Informação sobre os motivos que levaram a convocar todos os actores portugueses que se acham espalhados pelos teatros do país para o Teatro da Rua dos Condes (18 de Fevereiro de 1784)
- Ano
- 1784
- Biblioteca/Arquivo
- Arquivo Nacional da Torre do Tombo
- Cota
- Intendência Geral da Polícia, Livro II, ff. 34-34v
[1784]
Fevereiro, 18
Excelentíssimo e Reverendíssimo Senhor Arcebispo de Tessalónica,
Manda-me Vossa Excelência o informe de quem foi que expediu a ordem ao desembargador Guilherme Baptista Garbo, a que ele se refere, para mandar vir os cómicos portugueses que se achavam dispersos pelos teatros do reino.
O que posso dizer a Vossa Excelência é que aquele Ministro, como inspector do Teatro da Rua dos Condes, mandou vir os cómicos na certeza de que Sua Majestade tinha mandado abrir o mesmo teatro para se representarem nele óperas com figuras inanimadas, como consta dos avisos que ficam nesta Intendência, e depois por permitir el-rei nosso senhor que houvessem entremezes e pantominas, para o que me fez a honra de me mandar chamar à sua real presença para assim mo determinar, e também para que se citasse no despejo que eu tinha mandado fazer aos cómicos que, nas peças que executavam de improviso, envolviam matérias que não eram convenientes se expusessem ao público por serem obscenas, indecentes, contrárias aos bons costumes, e que
Estas permissões, pois, de Suas Majestades foram as razões que houve para aquele Ministro assim proceder, e é o de que posso informar a Vossa Excelência para o representar aos mesmos senhores, e eles resolverem o que for de seu real agrado.
Lisboa, 18 de Fevereiro de 1784
Fev.º 18 Manda me V. Ex.ª o informe Ex.mo e R.mo S.or
de quem foi que expedio a ordem ao Arcebispo de Thes
Dez.or Guilherme Bap.ta Garbo, a q’ salonica
elle se refere para mandar vir os
Comicos Portuguezes que se achavão dis
perços pellos Theatros do Reino.
O que posso dizer a V. Ex.ª hé que
aquelle Menistro como Inspector do
Theatro da Rua dos Condes, mandou
vir os Comicos na certeza de q. S.
Mag.de tinha mandado abrir o mes-
mo Theatro para se reprezentarem
nelle Operas com Figuras inanima-
das, como consta dos Avizos que fi
cão nesta Intendencia, e depois por
permittir El Rey Nosso Senhor,
que houvessem Entremezes, e Panto
minas, para o que me fes a honra
de me mandar chamar á sua Real
Prezença para assim mo determi-
nar, e tambem para que se citasse
no despejo que eu tinha mandado
fazer aos Comicos, que nas Pessas,
que executavão de improvizo in
volvião materias, que não erão
convenientes se expozessem ao
Publico por serem obscenas, indecentes
contrarias aos bons costumes; e que
gos, contra o qual declamarão os Santos
Padres; e que finalmente não erão da
natureza daquellas, que servem de
instruir o Publico, reprehendendo o Vicio
e metendo-o a rediculo com as cores mais
vivas, e que influem suavemente nos
animos ou Moral mais Santa, a Poli
cia, a Urbanidade; daquellas que
as Nasçoens Civilizadas e Christaas
expoem nos seos Theatros, e que a
thé dentro dos mesmos claustros mais
austeros se reprezentão; daquellas
enfim que neste Reino correm
impressas a face de hum Tribunal
como o da Mesa Censoria, compos
to de Varoens Literatos, e que foi
instituido para velar se não publi
quem couzas contra a Moral, contra
a Religião ou contra os bons costumes.
Estas permissoens pois de
Suas Magestades forão as razoens
que houve para aquelle Me
nistro assim proceder, e hé o de que
posso informar a V. Ex.ª para o re
prezentar aos Mesmos Senhores
e Elles rezolverem o que for de
Seo Real Agrado.
Lix.ª 18 de Fevr.º de 1784