- Sumário
- Informação sobre o requerimento de Luís Chiari para ser empresário do Teatro de S. Carlos (9 de Novembro de 1821)
- Ano
- 1821
- Biblioteca/Arquivo
- Arquivo Nacional da Torre do Tombo
- Cota
- Intendência Geral da Polícia, Livro XX, ff. 123-123v
Novembro, 9
Dito
António Simão Mayer pede ser conservado na empresa do Teatro de São Carlos, e Luís Chiari pede que se lhe confie a mesma empresa para o seguinte ano de 1822. Sobre o primeiro requerimento, há Sua Majestade por bem ordenar-me que informe, por portaria de 10 de Outubro, e sobre o segundo por portaria de 26 de Setembro.
Mandei ouvir o Ministro Inspector, que satisfez com a informação da cópia inclusa, da qual consta que Mayer não tem satisfeito o público, nem a Companhia, a quem deve ordenados, por cujo atraso vive com ela em desarmonia, e até em risco de não quererem trabalhar, pelo que não é próprio para se lhe confiar a empresa futura, nem a ela tem o direito com que argumenta, porque, segundo o aviso de 8 de Novembro do ano passado da cópia junta, ela lhe foi confiada somente por um ano, e se entrou em ajustes com alguns actores para depois desse prazo, obrou com imprudência.
Chiari oferece-se a tomar a empresa debaixo das condições que oferece juntas.Este homem já em anos anteriores foi empresário, não apareceu outro que a queira, prestou fiança aos subsídios que houver de receber, e que é necessário prestar-lhe, pois que sem eles o teatro se não conservará, e é muito necessário que este divertimento continue, e ainda que judiciosamente lembra o Inspector que conviria muito que esta empresa se confiasse a alguma sociedade de portugueses abonados, todavia não sei que haja quem a pretenda alforiar para este fim.
Não posso, porém, deixar de lembrar a Vossa Excelência que, sendo um dos subsídios as casas de sortes, fontes e origem d’imoralidade, seria útil que este arbítrio se proibisse, concedendo-lhe um equivalente em seu lugar. Deus guarde.
Dito Antonio Simão Mayer pede ser conservado na
Empreza do Theatro de S. Carlos, e Luiz Chiari
pede que se lhe confie a mesma Empreza pa-
ra o seguinte anno de 1822; sobre o primei-
ro requerimento, Há Sua Magestade por
bem Ordenar-me que informe por Portaria
de 10 de Outubro, e sobre o segundo por Porta-
ria de 26 de Setembro.
Mandei ouvir o Ministro Inspector, que
satisfez com a Informação da Copia incluza; da=
qual consta, que Mayer não tem satisfeito
o Publico, nem a Companhia, a quem deve
ordenados por cujo atrazo vive com ella em
dezarmonia, e athé em risco de não quere-
rem trabalhar; pelo que não hé proprio pa-
ra se lhe confiar a Empreza fuctura, nem
a ella tem o direito com que argumenta, por-
que segundo o Avizo de 8 de Novembro
do anno passado da Copia junta, ella lhe foi
confiada somente por hum anno, e se entrou
em ajustes com alguns actores para depois
desse prazo obrou com imprudencia.
Chiari offerecesse a tomar a Empreza de
baixo das condiçoens, que offerece juntas:este homem já em annos anteriores foi Empre-
zario: não apareceo outro, que a queira, pristou
fiança aos subsidios, que houver de receber, e que
he necessario prestar-lhe pois que sem elles o
Theatro se não conservará, e he muito necessario
que este divertimento continue; e ainda que judic-
ciozamente lembra o Inspector, que conviria mui-
to, que esta Empreza se confiasse a alguma so-
ciedade de Portuguezes abonados; todavia não sei
que haja quem a pertenda alforiar para este
fim.
Não posso porem deixar de lembrar a
V. Ex.ª que sendo hum dos subsidios as Cazas
de Sortes, fontes e origem d’immoralidade, se-
ria util, que este arbitrio se prohibisse, conce-
dendo-lhe hum equivalente em seu lugar. D.r G.de