Sumário
Informação sobre o pedido de formação de uma Companhia para trabalhar no Teatro do Salitre (26 de Setembro de 1821)
Ano
1821
Biblioteca/Arquivo
Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Cota
Intendência Geral da Polícia, Livro XX, ff. 80-80v

Setembro, 26

 

Senhor,                                                                                                       

 

Os actores portugueses, assinados em o requerimento a f 3 intentam associar-se em Companhia, debaixo da direcção do empresário Evaristo José Pereira, para trabalharem no Teatro Nacional do Salitre, e pedem um subsídio que os habilite a fazer face a alguma despesa, bem como se concedeu ao da Rua dos Condes. E é Vossa Majestade servido ordenar-me, por portaria de 31 de Julho próximo passado, expedida pela Secretaria d’Estado dos Negócios da Fazenda, que informe sobre a pretensão dos suplicantes.

Mandando informar o Ministro Inspector da Rua dos Condes, ouvindo o empresário deste Teatro, satisfez aquele com a


informação da cópia inclusa. E sem entrar no desenvolvimento dos bens que resultam ao estado social do uso dos Teatros, bem assaz reconhecidos, é certo que, apesar d’estarem já em exercício dois Teatros, à grandeza da capital, admite ainda que efectivamente tem trabalhado em outras épocas, e assim se consegue também o fim d’empregar gente que, aliás, pode chegar à desesperação por falta de destino. Os associados propõe-se satisfazer o público, unindo a si alguns cómicos que esperam do Porto, e tanto melhor for a Companhia que arranjarem, tanto maior será o seu interesse. Creio bem que eles necessitarão alguns socorros, e entendo que é de justiça o concederem-se-lhe, como aos outros, porque são portugueses, mas não sei atinar com os meios de lhos prestar imediatamente, visto que os desta natureza já forão aplicados a São Carlos, a quem se concederam sortes, e o lucro de 10:000 bilhetes das loterias, e à Rua dos Condes a quem se mandaram dar 6:000$000 d’ajuda de custo, 3 pelo cofre da polícia, e 3 pelo do Senado (que julgo não teve efeito), e assim só resta o meio de lhe prestar os auxílios directos que forem do real agrado de Vossa Majestade.

Mas Vossa Majestade ordenará o mais justo.

Lisboa.

Image 953
Image 954

Setembro 26    Os Actores Portuguezes assignados em o Requerimento                     Senhor

af3 ententão associar se em Companhia, debaixo da Direcção do

Emprezario Evaristo Jozé Pereira, para trabalharem no Theatro

Nacional do Salitre; e pedem hum subsidio, que os habilite

a fazer face a alguma despeza, bem como se concedeo ao da Ruas

dos Condes: E He V. M. Servido Ordenar me por Porta=

ria de 31 de Julho proximo passado, expedida pela Secretaria d’

Estado dos Negocios da Fazenda, que informe sobre a pertenção

dos Supp.tes

Mandando informar o Ministro Inspector da Rua

dos Condes, ouvindo o Emprezario d’este Theatro, satisfez aquelle com

                                                                                                           a


a Informação da Copia incluza. E sem entrar no

desenvolvimento dos bens, que rezultão ao estado social, do uzo

dos Theatros, bem assaz reconhecidos; he certo que a pezar

d’estarem já em exercicio dois Theatros, à grandeza da capi-

tal admitte ainda, que effectivamente tem trabalhado

em outras Epochas; e assim se consegue tambem o fim

d’ empregar gente, que aliaz pode chegar à dezesperação por

falta de destino: Os Associados propoem se satisfazer

o Publico, unindo a si alguns Comicos que esperão do Porto;

e tanto melhor fôr a Companhia que arranjarem, tanto

maior será o seo interesse. Creio bem, que elles

necessitarão alguns soccorros; e entendo que he de Justiça o

concederem se lhe como aos outros por que são Portuguezes; mas

não sei atinar com os meios de lh’os prestar immediata=

mente; visto que os d’esta natureza já forão applicados a

S. Carlos, a quem se concederão Sortes, e o lucro de 10:000

Bilhetes das Loterias, e á Rua dos Condes a quem se

mandarão dar 6:000$000 d’Ajuda de custo, 3 pelo Cofre

da Policia, e 3 pelo do Seriado; (que julgo não teve effeito) e

assim só resta o meio de lhe prestar os auxilios directos, que

forem do Real Agrado de V. M.

Mas V. M. Ordenará o mais justo.

Lx.ª