- Sumário
- Informação sobre o estado da empresa do Teatro de S. Carlos de modo a poder receber subsídio estatal (25 de Janeiro de 1819)
- Ano
- 1819
- Biblioteca/Arquivo
- Arquivo Nacional da Torre do Tombo
- Cota
- Intendência Geral da Polícia, Livro XVIII, ff. 44v-46
[1819]
Janeiro, 25
Reino
Senhor,
Com a informação da cópia inclusa, que me deu o Corregedor do Bairro Alto, inspector do
Real Teatro de São Carlos, e a declaração a ela junta, assinada pelos negociantes Gonçalo José de Sousa Lobo e Constantino Joaquim de Matos, parecem-me satisfeitas as reais determinações participadas a esta intendência, no aviso de 12 de Dezembro próximo passado, pelo qual Vossa Majestade foi servido ordenar-me que informasse da solidez e abonação que tivesse a actual empresa do teatro, para se lhe poderem entregar os fundos de que constar o auxílio que Vossa Majestade, por sua imediata resolução, houve por bem conceder-lhe.
Da dita informação, consta que o teatro se acha trabalhando com luzimento e aceitação pública, que a empresa tem feito avultadas despesas, para as quais foi logo preciso valer-se das subscrições de que, na forma do plano que subiu com a minha informação de 7 de Novembro antecedente, são caixas e administradores os sobreditos dois negociantes e, acrescenta o Ministro informante, que o socorro de quarenta contos de réis, anualmente pedidos pela empresa na memória que sobe inclusa, lhe não pareça excessivo. Consta, ao mesmo tempo da referida declaração, assinada pelos mesmos negociantes, que eles se encarregam espontaneamente de receber e administrar as somas em que importar o auxílio que Vossa Majestade for servido arbitrar, estabelecendo, na casa da administração do teatro, um cofre de que cada um tenha a sua chave, respondendo a esta intendência pelo emprego e aplicação das ditas somas e vigiando, se para isso forem autorizados, sobre a administração económica do teatro,
para que não hajam descaminhos nem abusos.
Entendendo, pois, que é mais regular este modo de intervirem neste negócio os ditos dois negociantes, abonadores da empresa nesta parte, do que aquele mais complicado que propõe o Ministro informante, parece-me que o caso se acha nos termos de Vossa Majestade, sendo servido arbitrar a soma de bilhetes que em cada uma loteria há-de acrescer em benefício deste estabelecimento, devendo tais somas serem recebidas e convertidas na despesa do teatro, pelo modo que indicam os ditos negociantes, que pela recepção, administração e aplicação delas se responsabilizam, e deverão eles, além disso, apresentar nesta intendência, no fim de cada semestre, um balanço demonstrativo do estado da receita e despesa da empresa do teatro, a fim de se conhecer-se próspera, ou se vai em deterioração, e assim se poder conhecer a proporção ou insuficiência dos meios aplicados em seu auxílio.
Aos mesmos negociantes deverão ser entregues as somas em que importar a assinatura dos camarotes que eram gratuitos e, na forma das reais determinações, se devem agora pagar pelas respectivas citações que os ocupam. Pelo que respeita ao que esta intendência teve sempre no dito teatro, peço licença a Vossa Majestade para expressar que se não se achasse positivamente ordenado, no aviso
de que recebi cópia, com o de 12 de Dezembro último, que os camarotes, até agora gratuitos, se conservem e sejam pagos pelas repartições que os tinham, eu preferiria, sem hesitação, largar o dito camarote para ficar na ordem daqueles que o teatro aluga, ao ónus de carregar o cofre da polícia com a despesa do mesmo camarote.
Vossa Majestade ordenará o que for servido. Lisboa.
S.r
Janeiro 25 Com a Informação da Cópia incluza que me
Reyno deo o Corregedor do bairro Alto Inspector do
Real Teatro de São Carlos, e a declaração a e-
la junta assignada pelos Negociantes Gon-
çalo Joze de Souza Lobo, e Constantino Joaq.m
de Mattos parecem me satisfeitas as Reaes
Detterminaçoens, participadas a esta Intende-
cia no Avizo de 12 de dezembro proximo pa-
sado, pelo qual V. Mag.e foi servido Ordenar-
me que informasse da Solidês, e abonação
que tivesse a actual Empreza do Theatro para
se lhe poderem entregar os fundos de que constar
o auxilio que V. Mag.e por Sua Immediata
Resolução houve por bem conceder lhe.
Da dita Informação consta que o Te-
atro se acha trabalhando com luzimento, e a-
ceitação publica; que a Empreza tem feito a-
vultadas despezas para as quaes foi logo preci-
zo valer se das subscripçoens de que na forma
do Plano que subio com a minha Informação
de 7 de Novembro antecedente são Caixas, e Ad-
ministradores os sobreditos dois Negociantes, e
acrescenta o Ministro Informante que o so-
corro de quarenta contos de reis, annualmente
pedidos pela Empreza na Memoria que sóbe
incluza lhe não pareça excepcivo. Consta ao mes-
mo tempo da refferida declaração assignada pelos
mesmos Negociantes, que elles se encarregão
expontaneamente de receber, e administrar
as sommas em que importar o auxilio que
V. Mag.e for servido arbitrar, estabelecendo
na Caza da Administração do Theatro hum
Cofre de que cada hum tenha a sua chave, res-
pondendo a esta Intendencia pelo empre-
go, e aplicação das ditas sommas, e vigian-
do, se para isso forem authorizados sobre
a administração economica do Theatro
para que não hajão descaminhos, nem abu-
zos.
Entendendo pois que he mais regular
este modo de intervirem neste negocio, os di-
tos dois Negociantes abonadores da Em-
preza nesta parte, do que aquelle mais
complicado que propoem o Ministro in-
formante; pareceme que o cazo se acha
nos termos de V. Mag.e sendo servido ar-
bitrar a somma de Bilhetes que em cada
huma Loteria hade acrescer em benefi-
cio destes Estabelecimento, devendo taes
sommas serem recebidas, e convertidas
na Despeza do Theatro pelo modo que
indicão os ditos Negociantes, que pela
recepção, administração, e aplicação
dellas se responsabilizão, e deverão elles
álem disso aprezentar nesta Intenden-
cia no fim de cada Semestre hum
balanço demonstrativo do estado da
receita, e despeza da Empreza do Theatro
a fim de se conhecer se prospéra, ou se vai
em deterioração, e assim se poder conhecer
a proporção, ou insufficiencia dos meios
aplicados em seu auxilio.
Aos mesmos Negociantes deverão
ser entregues as Sommas em que impor-
tar a assignatura dos Camarotes que
erão gratuitos, e na forma das Reaes Detter-
minaçoens se devem agora pagar pelas Res-
pectivas Citaçoens que os occupão. Pelo
que respeita ao que esta Intendencia te-
ve sempre no dito Theatro, peço licença
a V. Mag.e para expressar que senão se
achasse positivamente ordenado no A-
vizo, deque recebi copia com o de 12 de Dezembro
ultimo, que os Camarotes ate agora gratuitos se
conservem, e sejão pagos pelas repartiçoens que
os tinhão, eu preferiria sem hesitação largar o
dito Camarote para ficar na Ordem daquelles
que o Theatro aluga, ao Onus de carregar o Cofre
da Policia com a despeza do mesmo camarote.
V. Magestade Ordenarà o que for Ser-
vido.
Lx.ª