Sumário
Informação sobre as condições encontradas por Francisco António Lodi quando toma a empresa do Teatro de S. Carlos (24 de Julho de 1802)
Ano
1802
Biblioteca/Arquivo
Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Cota
Intendência Geral da Polícia, Livro VII, ff. 11-12

1802

 

Julho, 24


Ilustríssimo e Excelentíssimo senhor Dom Rodrigo de Sousa Coutinho,


Ponho nas mãos de Vossa Excelência a representação que me faz o empresário actual do Teatro de S. Carlos, Francisco António Lodi, em que suplica que precisa de representar ao príncipe regente nosso senhor os gastos que ele expõe e a respeito dos quais pede providência.
É certo que, entrando por empresário do mesmo teatro, Joaquim José de Sousa Baiana, este, que representava ter fundos e concorrer com negociantes do maior crédito nesta praça, assim nacionais como estrangeiros e ainda mesmo com algumas pessoas de alta hierarquia, escriturou companhia não só na Itália, onde também estava acreditado, mas igualmente outra nacional nesta Corte, e na cidade do Porto para o Teatro do Salitre, e não reparando em preço, levou consequentemente os ordenados a um ponto tal que não podiam com eles as empresas. Logo ao primeiro mês se desmascarou, porque nem satisfez as letras, nem pagava os ordenados adiantados que havia estipulado, de sorte que foi preciso que a Polícia lançasse mão da empresa, para poder continuar o trabalho do teatro, entrando Jerónimo Crescentini com alguns da mesma Companhia na qualidade de empresários.
No Carnaval do presente ano tomou a empresa o representante Francisco António Lodi, e convencionou-se com Jerónimo Crescentini, Angelica Catalani, e alguns outros cómicos e dançarinos, que ainda aqui se achavam para abrir o mesmo teatro, e não parar este


necessário divertimento.
Agora que é preciso escriturar nova Companhia para o teatro se abrir na Páscoa do ano próximo futuro, encontra o dito empresário grande dificuldade em escriturá-la na Itália, pelos motivos que expresso, e a que deu causa Joaquim José de Sousa Baiana, e portanto não querem escriturar-se para o Teatro de Portugal, temendo os mesmos incómodos que sofreu a Companhia escriturada por Joaquim José de Sousa Baiana, a qual dos ordenados, que com ele havia convencionado, veio somente a receber  metade.
Por todos este motivos é que o representante Francisco António Lodi deseja que o príncipe regente nosso senhor seja servido ordenar aos ministros e cônsules, que tem nas cortes estrangeiras, que o queiram auxiliar e acreditar, de maneira que possa escriturar Companhia de Cómicos e Dançarinos para estar aqui logo depois do Carnaval próximo de 1803, e começar a trabalhar na Páscoa, oferecendo-se o mesmo empresário a prestar todas as necessárias fianças.
Na real presença do príncipe regente nosso senhor dará Vossa Excelência o peso que julgar merecer, o que o dito empresário representa, e eu informo a Vossa Excelência para que ele, com a precisa antecipação, possa escriturar a Companhia antes que as outras cortes se adiantem a fazê-lo, e faça abrir o teatro no ano próximo futuro, sem que a polícia torne a ver-se na tortura de o não poder conservar no decente estado em que se acha, por não ter companhia de Cómicos e Dançarinos tais que supram a falta de Jerónimo Crescentini e Angelica Catalani, que segundo me informam,


já estão escriturados para fora do reino, findo que seja o Carnaval próximo futuro.
Lisboa.

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Pp. 11 a 12/1802

 

Julho 24                                                         Ill.mº e Ex.mº Sr.

Dom Rodrigo

de Souza Cout.º

 

Ponho nas mãos de V. Ex.ª a representação

que me faz o Impresario actual do Thea-

tro de S. Carlos, Francisco Antonio Lodi,

em que supplica que precisa de reprezen-

tar ao Principe Regente Nosso Senhor os-

gastos, que ele expoem, e a respeito dos quaes

pede providencia.

He certo, que entrando por Impreza-

rio do mesmo Theatro Joaquim Joze de Sou-

za Baiana, este, que reprezentava ter fun-

dos, e concorrer com negociantes do maior

credito nesta Praça assim nacionaes, co-

mo estrangeiros, e ainda mesmo com al-

gumas pessoas de alta gerarchia; escriptu-

rou companhia não só na Italia, onde

tão bem estava acreditado, mas igual-

mente outra nacional nesta Corte, e na

Cidade do Porto para o Theatro do Salitre, e

não reparando em preço, levou consequen-

temente os ordenados a hum ponto tal,

que não podião com eles as emprezas.

Logo ao primeiro mes se desmascarou,

porque nem satisfez as letras, nem pagava

os ordenados adiantados, que havia estipu-

lado de sorte que foi precizo, que a Policia

lançasse mão da empreza para poder con-

tinuar o trabalho do theatro, entrando Jeroni-

mo Crescentini com alguns da mesma Com-

panhia na qualidade de Imprezarios.

No Carnaval do prezente anno

tomou a Impreza o Reprezentante Fran-

cisco Antonio Lodi, e convencionou-se

com Jeronimo Crescentini, Angelica Ca-

talani, e alguns outros Comicos, e Dança-

rinos, que ainda aqui se achavão, para

abrir o mesmo Theatro, e não parar este


este necessario divertimento.

Agora que he precizo escripturar nova

Companhia para o Theatro se abrir na Paschoa

do anno proximo futuro, encontra o dito Im-

prezario grande difficuldade em escriptura-

la na Italia pelos motivos, que expresso, e a

que deu cauza Joaquim Joze de Souza Baia-

na, e portanto não querem escripturar-se para

o Theatro de Portugal, temendo os mesmos incom-

modos, que sofreu a Companhia escripturada

por Joaquim Joze de Souza Baiana, a qual

dos ordenados, que com ele havia convencionado,

veio somente a receber  metade.

Por todos este motivos he que o Repre-

zentante Francisco Antonio Lodi dezeja que

o Principe Regente N. S. seja servido ordenar

aos Ministros e Consules, que tem nas Cortes

Estrangeiras, que o queirão auxiliar, e acre-

ditar de maneira que possa escripturar Com-

panhia de Comicos, e Dançarinos para estar a-

qui logo depois do carnaval proximo de 1803,

e começar a trabalhar na Paschoa, offerecendo-se

o mesmo Imprezario a prestar todas as necessarias

fianças.

Na Real Prezença do principe Regente N.

S. dará V. A. o pezo, que julgar merecer o que o di-

to Imprezario reprezenta, e eu informo a V. Ex.ª

para que ele com a preciza antecipação possa es-

cripturar a Companhia antes que as outras cor-

tes se adiantem a faze-lo, e faça abrir o Theatro

no ano proximo futuro sem que a Policia torne

a ver-se na tortura de o não poder conservar no-

decente estado, em que se acha, por não ter com-

panhia de Comicos, e Dançarinos taes, que su-

prão a falta de Jeronimo Crescentini, e Ange-

lica Catalani, que segundo me informão


me informão, ja estão escripturados para

fora do reino findo que seja o Carnaval

proximo futuro.

Lx.ª