- Sumário
- Informação sobre a criação de uma lotaria para financiar o Teatro de S. Carlos (2 de Dezembro de 1794)
- Ano
- 1794
- Biblioteca/Arquivo
- Arquivo Nacional da Torre do Tombo
- Cota
- Intendência Geral da Polícia, Livro IV, ff. 229v-230v
Dezembro, 2
Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor José de Seabra da Silva,
Em execução do que Vossa Excelência me ordena no aviso que me expediu, na data de vinte e sete do mês passado, que acompanha o requerimento de Francisco António Lodi e André Lenzi, empresários do Teatro de São Carlos, em o qual pretendem que Sua Majestade lhe facilite a licença de poderem pôr em prática o plano de uma lotaria de camarotes e bilhetes, que juntam ao seu requerimento, a benefício da empresa, para poder continuar a trabalhar o mesmo teatro e assistir às grandes despesas que são obrigados a fazer para conservarem a decência daquele divertimento.
É certo que as despesas são consideráveis, como também é certo que se deve conservar aquele divertimento em asseio e decência, como o têm a maior parte das Cortes o mais polidas da Europa. Este meio, porém, do plano que os suplicantes apresentam, parece não ser o mais próprio para conseguirem aqueles fins, mas como se não constrange ninguém a que vá tirar os bilhetes, neste caso, se pode haver prejuízo, é aos suplicantes, na falta que possam ter na extracção dos bilhetes, e que tenham feito as despesas indispensáveis para porem em acção a mesma
lotaria.
É o que posso informar a Vossa Excelência, que mandará o que for servido.
Lisboa.
Ill.mo e Ex.mo S.r
Dezembro 2 Em execução do que V. Ex.ª me Jozé de Seabra
ordena no Avizo, que me expedio da Silva
na data de vinte e sete do mez pas=
sado, que acompanha o Reque=
rimento de Francisco Antonio
Lodi, e Andre Lensi, Impre=
zarios do Theatro de S. Carlos, em
o qual pertendem que S. Mag.e
lhe facilite a licença de poderem
pór em pratica o Plano de huma
Lo-
Loteria de Camarotes e Bilhetes, que
juntão ao seo Requerimento, a
beneficio da Impreza, para poder
continuar a trabalhar o mesmo
Theatro, e assistir ás grandes des=
pezas, que são obrigados a fazer,
para conservarem a decencia
daquelle divertimento.
Hé certo que as despezas
são consideraveis, como tambem
hé certo que se deve conservar
aquelle divertimento em aceio,
e decencia, como o tem a mayor
parte das Cortes o mais polidas da Europa;
este meio porem do Plano, que
os Supp.es aprezentão parece não
ser o mais proprio para consegui=
rem aquelles fins, mas como
se não constrange ninguem a
que vá tirar os bilhetes, neste
cazo se pode haver projuizo hé
aos Supp.es na falta, que possão ter
na extracção dos bilhetes, e que te=
nhão feito as despezas indespesa=
veis para porem em acção a mes=
1794 ma Loteria.
Hé o que posso informar
a V.ª Ex.ª, que mandará o que
for servido.
Lx.ª