Sumário
Folheto do Prólogo ao Artaxerxe (1760)
Ano
1760
Localização
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc. 578); Biblioteca da Ajuda (55-V-2/17)
Impresso
Lisboa, na oficina patriarcal de Francisco Luís Ameno, 1760

Prólogo ao Artaxerxe, do insigne Pedro Metastásio, representado na Ilha da Madeira em 17 e repetido em 21 de Novembro de 1759, em obséquio da estimadíssima melhoria que sua majestade fidelíssima, o senhor D. José I, que Deus guarde, alcançou nas feridas execrandas, recebidas na infausta e sempre horrível noite de 3 de Setembro de 1758.

 

 

Lisboa, na oficina patriarcal de Francisco Luís Ameno, ano 1760.

 

Com as licenças necessárias

 

 


Ao leitor

 

Entre as festas que alguns dos particulares leais vassalos de sua majestade fidelíssima espontaneamente executaram nesta Ilha da Madeira, por ocasião das melhorias que alcançou, depois de vulnerado na infelicíssima noite, em que a mais bárbara e a mais sacrílega conjuração intentou sobre a preciosíssima vida do nosso clementíssimo monarca, o senhor D. José I, não deixou de ser distinta (não sei se por ser a última) a exibição do Artaxerxe de Metastásio, traduzido do italiano no idioma português, que se representou em 17 e se repetiu em 21 de Novembro de 1759, com a decência que permitiu o estado da terra; não só na elegância na delineação e pintura do teatro, e suas mutações, como no gosto e propriedade dos vestidos dos actores, todos ricamente trajados à persiana, e no primor com que cada um deles executou o seu papel, em todos naturassimamente proporcionado ao caracter da figura que representavam.

Deu geralmente gosto este festivo espectáculo, porque é condição privativa das cousas realmente boas atraírem o agrado

 


de todos, e Metastásio está de posse dos aplausos de todos os espectadores das suas obras, admiradas em todas as nações, e o serão em todos os tempos. Serviu de prólogo a esta peça um drama, que pela concorrência de várias máquinas engenhosa[s] e admiravelmente movidas, e perfeita e artificiosamente obradas, e de agradáveis, bem imitadas vistas de terra, mar e céu, não deixou de ter muitos admiradores. Por se executar com sucesso, tanto na bem ordenada, consecutiva aparência das máquinas como na elegância com que os actores recitaram os seus papéis, e porque os merecidos elogios do herói deste drama devem fazer o emprego da curiosidade dos seus fiéis vassalos, e não é bem que somente se restrinja à declamação de duas tardes o que pelo seu objecto é digno da atenção de toda a posteridade, se dá à luz o seguinte prólogo.

 


Prólogo ao Artaxerxe

 

Actores:

Neptuno

Cibeles

Febo

Fama

Comércio

Abundância

Bem público

Madeira

Coro de sereias

Coro de napeias

Coro de música

Séquito de tritões

 

O teatro representa um lugar campestre, com vista de mar a um lado.

 

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