Sumário
Folheto do poema dramático Lisboa reedificada (1787)
Ano
1787
Localização

Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc. 613); Biblioteca da Ajuda

Impresso
Lisboa, Simão Tadeu Ferreira, 1787

Lisboa reedificada

Poema dramático para música, consagrado à majestade augusta da senhora Dona Maria I, rainha de Portugal, em aplauso do aniversário dia 13 de Maio de 1787, dedicado á sua gloriosa aclamação, por José Anastácio da Costa e Sá, lisbonense.

 

Lisboa, na oficina de Simão Tadeu Ferreira

Com licença da Real Mesa Censória

 

 


Senhora

 

Qua nihil majus, meliusve terris

Pata denavere, bonique Divi,

Nee debunt, quiamavis redeant in aurum

      Tempora priscum

 

Horatio, liber IV, ode II

 

 

O soleníssimo dia da gloriosa aclamação de vossa majestade não sofre silêncio à minha humilde musa. Em aplaudi-lo, coisa mui justa me pareceu tomar por assunto a cidade de Lisboa que, dando o régio berço a vossa majestade, antes de sua ruínas, depois de reedificada veio coroar na real pessoa de vossa majestade em seus nobres muros uma soberana destinada a tantos século para imortal felicidade da nação

 

 

 

portguesa. Nesse mesmo dia, pois, de graça e de triunfo em nossos anais, confio que vossa majestade se dignará receber a ténue oferta do prosente poema dramático, ligado a tão terníssimos motivos. E quanto da minha parte faleça o seu primor e desempenho, supra o amor e fidelidade que a vossa majestade professo e consagro, como, de vossa majestade o mais fiel, o mais humilde e o mais reverente vassalo,

José Anastácio da Costa e Sá

 

 


Argumento

 

Arrasada Lisboa pelo terremoto e reduzida a cinzas pelo incêncio, veio ao diante a reedificar-se tão bela e formosa no imortal reinado do senhor D. José I que, com justíssima razão, se deve chamar a rainha d’entre as demais cidades capitais da Europa. Deste sucesso histórico se tece a ficção de que Jove, vendo-a tão desprezível e ingrata, fulminará sobre ela seus raios para efeito de aparecer mais digna e elegnate, como convinha à primeira coroação de uma soberana, em cuja real pessoa, depois de tantos sáculos, vieram a verificar-se na cidade novamente reedificada as cortes de Lamego, com júbilo universal e singular dos portugueses. Esta mesma verificação de cortes com os demais adjuntos que entretecem os episódios se reduz especialmente a celebrar o dia da feliz aclamação de nossa clementíssima soberana.

A acção que se representa é o encómio do feliz dia da aclamação da augustíssima rainha sossa senhora.

 

 


Actores:

Ulisseia, representativa cidade de Lisboa, prometida esposa do

Triunfo, personalizado amante de Ulisseia

Fama, personalizada irmã de Triunfo

Vate, suposto intérprete de Jove

 

Comparsas:

Artes

Comércio

Agricultura

Indústria

Ciências

Nobres

Povo

que todos formam o séquito de Ulisseia

 

A cena finge-se nos setentrionais subúrbios da cidade de Lisboa.

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