Sumário
Folheto do poema dramático A ilha de Tétis (1786)
Ano
1786
Localização

Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc. 613)

Impresso
Lisboa, Simão Tadeu Ferreira, 1786

A ilha de Tétis

 


A ilha de Tétis

Poema dramático consagrado à majestade augusta da senhora Dona Maria I, rainha de Portugal, em aplauso de seu aniversário natalício e felicíssimo dia 17 de Dezembro de 1786, por José Anastácio da Costa e Sá, lisbonense

 

Lisboa, na oficina de Simão Tadeu Ferreira, ano 1786

Com licença da Real Mesa Censória

 


 

Senhora,

 

...redit Regina, redeunt Saturnia regna

Virgílio, Bucólicas, IV

 

Depois de empregar o melhor de meus dias nas fadigas da secretaria de um governo no Ultramar quase dez anos, em serviço de vossa majestade, sem mais prémio que o desejo de ser útil ao Estado e a natural esperança que acompanha a um vassalo fiel, ou para melhorar de fortuna ou para recolher proveito honesto, entendi também que do aborrecível ócio devera interessar minha humilde musa, consagrando-a ao felicíssimo natalício de uma augusta soberana, como vossa majestade, por cujas reais mãos liberaliza o senhor dos impérios as graças, e

 

 


mercês a súbditos prestáveis e honrados. Este pensamento, por sua fidelidade, digno do augustíssimo assunto que me propus, excitou-me a empreender o presente drama, unido às regras da cantoria vocal, assim por tributar patentemente a vossa majestade os votos e candidez de meu coração, como por acreditar nossa teatral poesia, e que ela não é tão áspera ao canto harmónico e seu gosto, como alguns génios minimamente dedicados a têm decidido. Esta novidade com a do argumento do drama faz animar-me a oferecê-la hunilhado aos pés do real trono de vossa majestade. Daquele trono no qual, ornado de todas as virtudes que o constituem imortal, por ascendência e herança, se assenta a melhor rainha do oceano em um e outro mar, cujo vasto senhorio a tanto custo lhe adquiriram as mais gloriosas conquistas. Eu me lisongeio, augustíssima soberana, de

 


desentranhar do mais engenhoso episódio de Camões, nas suas Lusíadas, tão gracioso motivo, para celebrar as singulares virtudes da justiça e clemência, a dignidade, a grandeza e real nome de vossa majestade. A deleitável ficção da poesia, que sempre se aparenta com a moral das acções e dos costumes, assim como recreia e encanta, do mesmo modo recomenda seus objectos a louvor e imitação. Este o meu destino, no qual, mui confiado, me prometo será aceita a vossa majestade a breve composição dramática no faustíssimo dia em que a nação portuguesa tem a glória e a satisfação de repetir a vossa majestade os seus votos de cada ano e a sua fiel vassalagem.

De vossa majestade, beija as reais mãos o mais fiel, o mais reverente e o mais humilde vassalo José Anastácio da Costa e Sá

 


Argumento

 

Tétis, rainha do Oceano, por aviso de Vénus, impaciente esperava em sua deliciosa ilha a Vasco da Gama, a cuja honra tinha de celebrar o ilustre feito de ser ele o descobriddor da Índia Oriental. Chegando o heróis, ela o recebe com extraordinário prazer, com festas e manjares, como em recompensa e prémio de suas fadigas e trabalhos. Ultimamente depois de lhe revelar gloriosos futuros que porsta nobre aventura sobreviverão a Portugal, e que por especialidade se refere ao reinado da augustíssima rainha nossa senhora, ela o despede com promessas da mais certa e inalterável hospitalidade.

Este belíssimo episódio, de que foi assunto a arribada de gama à Ilha Terceira, já de volta para a pátria, é tirado de Camões nas suas Lusíadas, Canto IX, no qual o poeta, cok engenhosíssima alegoria, quis significar o contentamento de Gama em satisfazer à empresa que o senhor rei D. Manuel lhe cometera, de descobrir a Índia. E o quanto merece um vassalo que por entre perigos e trabalhos não duvida presatr a seu príncipe e dar honra à sua pátria. O resto parte é versosímil, parte histórico.

 

 


Actores:

Tétis, rainha do oceano

Gama, descobridor da Índia Oriental

Efire, suposta irmã de Tétis

Leonardo, amante de Efire

veloso, confidente de Gama e companheiro de Leonardo

 

Comparsas:

Coro de ninfas

Abundância

Fortuna

Proteu

Nereidas

tritões

Que todos formam a corte de Tétis

 

Soldados

marinheiros

Que ao antigo raje espanhol formam a comitiva do Gama

 

A cena finge-se na Ilha de Tétis que depois se transforma na Ilha Terceira.

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