- Sumário
- Folheto do drama para música Sesostris Rei do Egipto (1738)
- Ano
- 1738
- Localização
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc.597)
- Impresso
- Lisboa, na oficina de António Isidoro da Fonseca, 1738
Sesostris Rei do Egipto
Drama para Música que se há de representar em Lisboa na Sala da Academia na Praça da Trindade.
Anno 1738.
Dedicado à Nobreza de Portugal.
Lisboa Ocidental, na Oficina de António Isidoro da Fonseca, Impressor do Duque Estribeiro Môr.
Ano 1738.
Com todas as Licenças necessárias.
Argomento.
No ano do mundo 3382. Aprio Rei do gipto foi morto em uma sublevação por Amasis seu Primeiro Ministro. Foi contudo venturosamente salvo deu filho Sesostris por Fanetes seu fidelssimo vassalo, juntamente com a espada do Rei seu pai, e ocultamente criado distante da Corte, e de Memfiz, sem que ainda depois de já ser homem, soubesse ele mesmo que era filho de um Rei. Reinou muito tempo Amasis, temido mas não amado dos povos, e procurou todos os meios para casar com Nicrotis viúva de Aprio, porém não lhe valeu para o poder conseguir nenhuma indústria nem lizonjas, nem de ameaças.
Antes que ele ocupasse tiranamente o reino tinha dado palavra de casamento a uma certa Ladice nobre egipciaca, que não era de Memfis, e com esta promessa teve dela um filho chamado Ofirídes. Depois de reinar no Egipto escreveu a Ladice que não só não fosse a Memfis, mas que se fosse para maior distância, criando a seu filho, porque lhe não podia guardar a palavra na fortuna, em que se via.
Depois do curso de muitos anos morreu Ladice, e antes de morrer, escreveu uma carta a Amasis, pedindo-lhe que ao menos amasse o seu filho Ofirídes, o qual ela entregou a Medaspes filho filho de uma sua irmã, dando-lhe também o anel esponfalicio, que recebera de Amasis em fé da sua promessa. Sabido isto por Fanete, que observa as acções de de Ladice, mandou vir o desconhecido Sesostris a uma sua casa de campo junto a Memfis, e o persuadiu a que esperasse em um certo lugar ao filho de Amasis, e que o matasse juntamente com Medapes, o qual melhorando das feridas teve lugar de se presentar a Amasis e lhe descobrir o engano. Entretanto Sesostris tirou a Ofírides morto o anel, e a carta de Ladice, que por conselho de Fanetes falou com o tirano, e o fez crer que era Ofírides seu filho, e que tinha morto Sesostris, o que provava
com o testemunho da espada de seu pai, o qual na sua breve dilação que fez em casa de Fanetes se namorou de Artenice sua filha, que ainda sendo menina já estava destinada para sua esposa, e ela igualmente se namorou dele a tempo que o tirano cansado das repulsas de Nitocris, resolveu casar com ela, fazendo-a trazer violentamente à Corte tratando de a fazer Rainha. O mais se percebe da contextura do Drama, cujo argumento histórico é tirado de Heródoto no segundo livro da sua história.
Mutações de Cena.
Campanha deliciosa nas ribeiras do Nilo com a vista do Palácio de Fanetes.
Galaria.
Camara de Espelhos.
Jardim.
Sala Real.
Pátio.
Templo magnífico.
Pessoas que bailam.
O Senhor Bernardo Gavazzi de Veneza.
O Senhor Gabriel Borghesi de Bolonha.
A Senhora Lourença Fortini de Florença.
O Senhor José Fortini de Liorne.
Pessoas
Nicroti Rainha viúva de Áprio Rei do Egipto, a Senhora Helena Paghetti.
Sesostri sei filho, o Senhor Caetano Valetta.
Fanete Grande do Egipto, o Senhor Francisco Grisi de Brécia.
Artenice sua filha, a Senhora Adriana Paghetti.
Amaci tirano do Egipto, o Senhor Félix Checcacci.
Edvige Princesa do Sangue Real de Áprio, a Senhora Anna Paghetti.
Medaspe, a Senhora Jacoma Ferari Napolitana.
A música é do Senhor Leonardo Leo.
A pintura da cena é de invenção, e desenho do Arquitecto, Roberto Clerici italiano.
As palavras de Deus, Nume, Fado, &c.
São expressões poéticas, e não de quem o escreveu, que protesta ser verdadeiro católico.