- Sumário
- Folheto do drama jocoso para música A Aldeana na Corte (1765)
- Ano
- 1765
- Localização
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc.581)
- Impresso
- Lisboa, Oficina de Pedro Ferreira. 1765
A Aldeana na Corte
Drama Jocoso em Música
Para representar-se
No Teatro da Rua dos Condes
No ano de 1765.
Dedicado
À Ilustríssima, e Excelentíssima Senhora
Condessa de Oeiras.
Lisboa
Na officina de Pedro Ferreira, Impressor da Fidelíssima Rainha N.S.
Com as licenças necessárias.
Ilma e Exc.ma
Senhora
O simples coração de uma inocente aldeana, que soube com honrosa constância desprezar as delícias da Corte, o afecto de um Príncipe, e o que é mais as suas dádivas; subministrou
ao autor desta obra os jocosos episódios, com que suaviza, e propõem bem férias, e interessantes virtudes no presente drama, que reimpresso, e traduzido dedicamos a Vossa Excelência, não como digno tributo da nossa obrigação, mas como sincero sinal da nossa devotíssima vontade.
E se tivermos a fortuna de que vossa Excelência o aceite com benigno semblante, não nos resta mais que desejar para o bom sucesso que pretendemos. Porque assim não se atreverá a inveja opor-lhe os olhos sem que humildemente os abaixe obrigada do esplendor do precioso título com que se enriquece esta primeira página, e nós teremos aquela protecção, que
he própria das pessoas da alta hierarquia de Vossa Excelência, e que já nos prometemos assim daqueles incomparáveis dotes, que adornão o seu nobre espírito, e a fazem digna do seu digno esposo, como das naturais perfeições, que toda esta corte tem a felicidade de ver, e admirar na Ilustríssima pessoa de Vossa Excelência, de quem somos com o mais profundo respeito.
Humildes, e reverentes servos.
Os empresários da Rua dos Condes.
Mutação das Cenas
Acto Primeiro
Cena Primeira
Campina com árvores frutíferas, e no prospecto hum pequeno outeiro, e dos lados cabanas.
Cena III
Descem os caçadores do outeiro.
Cena VII
Bosque com fonte, e preparos para levar.
Acto Segundo
Cena Primeira
Páteo
Cena VII
Câmera do Palácio do Príncipe com espelho.
Cena XVII
Sala
Acto Terceiro
Cena primeira
Sala pequena
Cena V
Gabinete escuro cm armário no meio praticável com duas portinhas.
Mesa com luzes, e dois assentos.
Argumento
Amavam-se ternamente Sandrina e Menichino na sua aldeia, como Clarice, e Rinaldo na sua Corte, até que saindo este Príncipe à caça viu Sandrina, cuja formosura, candidez, e inocência ocupou logo todos os seus pensamentos. Repetia Rinaldo com frequência este exercício, até que por meio de Fábio seu escudeiro conseguiu que Sandrina levada das persuasões , e promessas deste passa-se à Corte acompa-
nhada de Menichino. Tancia, outra aldeana da mesma aldeia ardia por Menichino, e Berto aldeão idolatrava a Tancia; com que levada a esta do seu amor, seguiu a Menichino na Corte, e levado do seu, seguiu Berto os passos de Tancia. Não acabavam de admirar as galas que arrastava Sandrina no palácio, nem as distinções de Menichino, pois os enchia o Príncipe de todos os favores para gozar o fim de seus cuidados. A repentina metamorfose de dois camponeses em dois cortesões, o modo inocente com que Sandrina se livra das instâncias de Rinaldo, os zelos de Clarice, os amores de Tancia, o desprezo de Berto, e as tra-
ças de Fábio são episódios do drama, até que desenganando Sandrina ao Príncipe Rinaldo, aprende este de uma rústica aldeana a fé que deve guardar a Clarice, com quem se casa, e deixando em liberdade a Sandrina, ela se enlaça com o seu Menichino, por cuja perdida esperança se resolve Tancia a dar a mão a Berto.
Pessoas
Sandrina, Aldeana enamorada de
Menichino, Aldeão seu amante.
Clarice, princesa.
Rinaldo, Príncipe.
Tancia, outra aldeana.
Fábio, escudeiro de Rinaldo.
Berto, outro aldeão enamorado de Tancia.
A cena se finge parte em uma aldeia, parte no palácio do Príncipe.
Os Bailes são da invenção, e direcção do Senhor Angelo Jacomazzi.