- Sumário
- Folheto do drama jocoso As Aldeinas Bizarras (1765)
- Ano
- 1765
- Localização
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc. 563, 595, 605)
- Comentário
- Edição bilingue de Le Contadine Bizarre, libreto de Giuseppe Petrosellini
- Impresso
- Lisboa, Oficina de Pedro Ferreira, 1765
Advertência
Esta ária se diz em lugar do que principia na página 28
Sono Amante, ma fatta non fono etc.
I Zerbini
Coi Zecchini
Sarian belli per mia fé,
Ma gli amanti caricati
Spasimati d’ oggi di;
Poverelli la monteta
Non conoscan da quì e li,
Non m’ importa la lindura,
Il bel passo, e la figura,
La grazietta
La smorfietta
Ricercare non fi dè.
Io vò scegliere un marito,
Giovinotto scimunito,
Villanello
Bello bello
Che sci ricco più di me.
As Aldeianas Bizarras
Drama jocoso para se representar em música.No Teatro da Rua dos Condes no ano de 1765.
Dedicado, às ilustríssimas, e excelentíssimas senhoras desta corte.
Lisboa
Na oficina de Pedro Ferreira, impressor da fidelíssima Rainha Nossa Senhora
Com as licenças necessárias.
Ilustríssimas, e Excelentíssimas Senhoras
Este drama, cuja principal personagem é uma mulher perseguida, receoso de correr a mesma fortuna, se obriga debaixo da protecção de Vossas Excelências, aqueles afectos, que costuma influir o trágico. E sendo o principal destes a compaixão, espera que esta se dirija não somente aos lances, e situações infelizes, e arriscadas, mas muito mais ainda ao mesmo drama, que está no maior risco de ser de todo infeliz se lhe faltar aquela generosa compaixão. Na de Vossas Excelências Ilustríssimas, e Excelentíssimas se-
nhoras, como radicadas em corações, e igualmente nobres, e muito mais ternos, funda o bom sucesso da obra as suas mais firmes, e mais doces esperanças, pois um só afecto que deva a qualquer de Vossas Excelências a bela perseguida, não haverá fogo de critica, que não extinga aquele precioso incêndio, nem ar de inveja, que não ceda a esta suave viração, e desta sorte, virão a ser felizes no intento que a Vossas Excelências.
Oferecem, e dedicam, seus humildes criados
Os empresários da Rua dos Condes
Argumento
Janfrizo intitulado governador do Lago Negro, que era ignorante, e gracejador, tinha uma irmã chamada Rosalba com quem intentava Janfrizo casasse Nardon lavrador rico, mas muito ignorante. Repugnava Rosalba o tal casamento. E por ele via-se muito aflita, e vivia em grande consternação. Havia naquele lugar um mancebo chamado Lúcio, e bastantemente rico, e duas aldeanas uma chamada Aureta, esta namorada de Nardon, e outra chamada Florina desvanecida de formosura, enamorada de Mafino lavrador astuto.
Compadecidas aquelas aldeianas de grande consternação de Rosalba, pelo casamento tratado com Nardon, que intentaram desvanecê-lo, para o que
Inventaram variados enredos, e quimeras para enganar a Nardon, e ainda a Janfrizo, fazendo que namorado Nardon de alguma delas, tivesse Rosalba justa causa para se efectuar do dito casamento em que era empenhado seu irmão Janfrizo. Trabalharam com efeito as aldeianas, com espírito, e bizarria, de que eram dotadas, quanto puderam, até que conseguindo o seu intento, se desvaneceu o tal casamento, vindo Rosalba a casar com Lúcio. Pelo drama se verá o mais que estas aldeanas fizeram, para conseguirem o triunfo, e serem aplaudidas.
Mutações
Acto Primeiro
1 Eira sombria à vista da vinha, com fonte e árvores de fruto.
2 Átrio aldeiano que introduz a casa de campo de Lúcio.
3 Pequena Praça defronte da casa de campo de Lúcio com vista de vinha. Cabana grande com duas portas que saem às duas estâncias correspondentes à Praça, e a cabana terá duas janelas separadas.
Acto Segundo
1 Eira cerrada com rastilhos à vista da vinha.
2 Átrio aldeiano, que introduz ao Palácio de Lúcio com assentos, e na mesa rústicos no meio.
Acto Terceiro
1 O mesmo átrio da mutação 2 do 2 acto
2 Eira sombria com árvores de fruto junto à ponte
Actores
Rosalba, irmã de Janfrizo governador do Lago Negro.
Lúcio, mancebo rico.
Aureta, aldeiana esperituosa, enamorada de Nardon.
Masimo, aldeiano astuto.
Janfrizo, governador do Lago Negro, ignorante e gracejador.
Nardon, aldeiano rico, mas ignorante.
Florina, aldeiana que faz pompa da sua formosura, enamorada de Másino.
A música é do célebre senhor Nicolau Piccinni, mestre de capela.
Os Bailes, são da invenção, e direcção do senhor Angelo Jacomazzi.