Sumário
Folheto do baile trágico pantomimo Orizia e Bóreas (1791)
Ano
1791
Localização

Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc.588)

Impresso
Lisboa, na Oficina de António Rodrigues Galhardo, 1791

 

Orizia  e Bóreas

 


 

Orizia , e Bóreas

 

Baile Trágico Pantomimo,

Inventado e posto em praxe por

Pedro Pieroni

No Teatro da Rua dos Condes.

 

Lisboa

Na Oficina de António Rodrigues Galhardo.

Ano de 1791

 

Com a licença da Real Mesa da Comissão Geral sobre o Exame e Censura dos Livros

 


 

Ao Público de Lisboa

 

Desejoso de deleitar o génio deste respeitável público com algum espetáculo teatral, que se distingue dos passados, destinei comigo, trazendo à memória as primeiras ideias, de expor um sujeito de nova invenção, e por este modo jamais representado.

Todos sabem quanta seja a dificuldade de exprimir  dignamente acções  grandes e interessantes, em tempos nos quais parece que a arte pantomima tem chegado ao maior grau de delicadeza e perfeição. Isto, na verdade, é o que me empenhou a empregar toda a minha atenção, e todo o meu espírito, para expor o sobredito sujeito no modo mais digno de um público tão judicioso, e acostumado a ver sobres estas mesmas cenas, magníficos e decorosos espetáculos; porém, se pelo desejo de contentar melhor a

 


 

quem me honra, cair em algum engano sem reflectir, seja isto perdoado ao meu bom intento, mal correspondido do meu limitado engenho.

Tudo, porém, me agrada esperar de vós, humaníssimo público, a quem consagro esta nova acção pantomima, e em quanto vos rogo que olheis para este meu trabalho com aquela costumada bondade, com a qual tenho sido honrado até agora, protesto com o mais honrado respeito ser,

 

Senhores,

 

Vosso muito humilde, muito devoto, e muito obrigado servo,

 

Pedro Pieroni.

 


 

Argumento

 

Orizia, filha de Eritheu, sexto rei de Atenas, teve três irmãs chamadas Othonea, Creusa e Procride, as quais entre si se amaram ternamente. Bóreas, rei da Trácia, se enamorou de Orizia, e com expressões as mais vivas, e obrigantes, a pediu ao pai, mas este sempre lhe negou a posse  de sua mão por causa do ódio antigo, que havia entre os dois reinos, e augmentado pelo atroz delito de Téreo rei da Trácia, que violentando a Filomena filha de Pandione, quinto rei de Atenas, e irmão de Prognesua consorte, lhe cortou a língua, com o demais da muito conhecida, e funesta fábula  de Progne, que morto o próprio filho Itis, em um esplêndido banquete o deu a comer ao réo pai, em vingança, e castigo do seu horrível atentado.

Indignado Bóreas pelas contínuas negativas, roubou Orízia, fazendo-a sua esposa, a levou para a Trácia. Motivo porque Bóreas foi tomado  dos gregos

 


 

pelo vento de tal nome, visto que os estados deste príncipe eram ao Norte de Grécia. Por isso disse Ovídio que Bóreas, coberto de uma nuvem escura, em companhia de outros ventos seus irmãos, conduzindo por todas as partes agitações, tremores de terra, e tempestades, e pelas mesmas levantando turbilhões de pó, em um destes roubou Orízia, que se estava recreando nas margens do Illisso.

A sobredita história, e fábula juntamente, forma o argumento do presente baile, em que autor de sua parte finge somente, que Eritheu tinha prometido Orízia  sua filha a um vizinho rei da Grécia, para tecer melhor o entrecho, e abrir largo campo aos zelos, e outros afectos.

 


 

Acto primeiro

Cena

Real bosque delicioso.

 

Acto segundo

Cena

Grande e magnífico lugar destinado para festejar a chegada do príncipe esposo da real Orízia.

 

Acto terceiro

Cena

Cárcere medonho

 

Acto quarto

Cena

Magnífico templo festivamente adornado para as núpcias do real príncipe Polidoro com Orízia.

 


 

Actores

Bóreas, rei da Trácia, amante correspondido de

Senhor Pedro Pieroni.

 

Orízia, filha de

Senhor Luís Chiaveri.

 

Eriteo, rei de Atenas.

Senhor Leopoldo Banchelli.

 

Polidoro, real príncipe de Tebas, prometido esposo de Orízia.

Senhor Francisco Citteri.

 

Irmãs de Orízia.

Otonea.

Senhor Raimundo Fidanza.

 

Creusa.

Senhor Carlos Barchielli.

 

Procride.

Senhor Luís Tamagni.

 

Ipomedonte, confidente de Eriteo.

Senhor Pedro Bedotti.

 

Learco, ministro fiel de Eriteo.

Senhor Maurício José.

 

Soldados, sacerdotes e escravos.

 


 

A última cena do dito baile é de invenção, e pintada pelo

Senhor José Carlos.

 

Maquinista da dita

Senhor Teodoro Bianchi.

 

O vestuário é de rica, e bela invenção do

Senhor Domingos d’ Almeida.

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