- Sumário
- Folheto do bailado Teodoro e Violante (1789)
- Ano
- 1789
- Localização
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc.588)
- Impresso
- Lisboa, na Oficina de Aquilino Bulhões, 1789
Baile Intitulado
Teodoro e Violante
Da invenção de António Marrafe,Para se dançar no Teatro do Salitre
Lisboa
Na Oficina de Aquilino Bulhões
Ano de 1789.
Com a licença da Real Mesa da Comissão Geral sobre o Exame e Censura dos Livros
São as principais personagens dele.
O Conde Arnolfe,
pai de Violante.
A Condessa Amália,
sua mulher.
Teodoro,
Esposo de Violante.
Violante,
Esposa de Teodoro, depois que este a roubou de casa do Conde seu pai.
Maioral da montanha, súbdito do Conde.
Montanheses, criados e caçadores do Conde Arnolfe.
A cena se figura em uma montanha praticável, na qual existe além de outras cabanas, e casas rústicas, aquela em que habita Teodoro e Violante.
Começa o baile vendo-se na montanha vários montanheses trabalhando em seus rústicos exercícios, até que chegada a hora de jantar, os vêm chamar a todos o maioral para irem comer, e eles largando o trabalho formam alegres um pequeno concertino, e partem
Aparece saindo do interior da montanha, Teodoro com Violante, e chegando à campina rasa, nela descansam e lamentam a sua desgraça e mísera pobreza. O menino lhes pede de comer, expressando que tem fome , e eles não tendo coisa que lhe dar, se afligem ainda mais. Neste tempo a eles se avizinha o referido maioral, que observando a sua aflição sem deles ser visto, sai, e lhes oferece socorro do sustento, e bem que eles cortesmente o recusem, vendo que lhes é preciso acudir ao
desditoso inocente, aceitam a oferta, e são pelo compassivo montanhês conduzidos à sua própria choupana. Depois de Teodoro com a sua esposa, e o menino têm entrado, o maioral que ainda se acha fora, ouve o som de um clarim, e admirado corre ao alto do monte a ver o que será, e de lá mesmo divisa ser o Conde Arnolfe, senhor daquele país, que na companhia da condessa Amália sua esposa, com uma grande comitiva de criados e monteiros se anda divertindo à caça. Corre logo a chamar os montanheses todos para virem ajudar o seu
patrão, e estes alegres e prontos a partirem convidam Teodoro para o sobredito fim, mas este assustado recusa ir, e perturbado se ausenta com Violante e o menino fugindo para o centro da montanha. Chega finalmente ao raso da Conde e sua esposa, a quem os rústicos montanheses saúdam e obsequiam, formando todos, um pequeno baile do seu carácter, e incitados tão bem de prazer e alegria, Arnolfe e Amália dançam um pequeno espaço. Interrompe toda esta acção o estrondo de um tiro que se ouve, a que logo se
segue à carreira de um veado , que atravessa a montanha, e ao qual o Conde Arnolfe determina seguir com a sua comitiva de monteiros fazendo sinal aos montanheses, que ele depois de divertir-se tornará aquele sítio, e parte subindo a montanha acompanhado de todos. Apenas se tem entranhado pela dita, se vai levando uma furiosa tempestade de ventos, chuva, trovões, relâmpagos e raios que a todos espavoriza e faz disperso, fugindo confusamente para salvarem-se por diversas veredas. Cai visivelmente uma centelha de fogo sobre a pobre
casa de Teodoro, que ateando-lhe o incêncio a vai abrazando, em quanto ele infeliz que nela estava refugiado salva, como lhe é possível daquele estrago a desgraçada esposa e o mísero inocente, e com eles desce chorando para o plano da campina, onde se assentão desfalecidos. Para eles se encaminha também em confusão a Condessa Amália, que perdida se vê do seu esposo, e vendo ali os três desgraçados se afirma e conhece Violantesua filha, que havia poucos anos lhe havia fugido de casa. Pretende segurála, ela timida intenta fugir-lhe,
em quanto Teodoro aflito, e temeroso lha quer tirar das mãos, mas insistindo a Condessa em seus furores, Violante se lhe prostra aos pés, e lhe suplica perdão, persuadindo Teodoro para que execute o mesmo. Aqui então lhes pergunta Amália qual é a sua habitação, a que eles respondem, mostrando ser aquela casinha, que há pouco se queimara, e que suposto sejam esposos se encontram em lastimoso desamparo. Sua mãe lhe diz ser aquele um evidente castigo do céu pela passada desobediência. Porém que ela lhes dará
remédio fazendo, que obtenham perdão do Conde Arnolfe, seu consorte e abraçando carinhosa o menino e aos dois esposos se retiram todos. Aparece logo o Conde cuidadoso, procurando a sua perdida Amália, e encontrando o maioral lhe pergunta se a tem visto, este lhe faz saber, que esta está sem dano algum em uma cabana, que dali se vê perto. Manda que lha vá chamar, e o maioral o executa. Torna logo a sair conduzindo a condessa, e se retira, porque Arnolfe lho determina. Contra então Amália ao conde o sucedido, este se enfurece e pretende ir dar-lhe a morte, mas a condessa lhe roga e pede que lhes perdoe para o que corre a buscar a consternada filha e o menino e lhos apresenta. Teodoro nesta acção segue a esposa, mas oculto tudo observa, e vend que Arnolfe nada se abranda, antes mais irado a pretende castigar, lhe sai a defende-la e se declara seu esposo. O conde neste momento mais indignado e enfurecido chama os montanhezes para que prendendo-o, o precipitem do alto da montanha. Eles não obstante a fuga, que Teodoro empreende
o seguram e conduzindo-o com violência o querem precipitar. Amália e Violante correm aos pés do conde para que mande suspender o castigo, e o menino também chorando demonstra suplicar.
Ele então olhando para todos a enternecer-se, e por fim compassivo manda os rústicos montanhezes , que o não percipitem, e recebendo terno em seus braços Violante e a Teodoro, com eles, com a condessa e o inocente meninose retira da montanha. Todos os montanhezes cheiosde alegria por tão feliz acontecimento começão
uma vistosa e alegre dança.
É todo o mencionado baile da invenção de,
António Marrefe