Sumário
Folheto da tragédia Penélope (1771)
Ano
1771
Localização

Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc. 610)

Impresso
Lisboa, Régia Oficina Tipográfica, 1771

Penélope

Tragédia

 


 

Penélope

Tradução livre da tragédia de Mr. l’abbé Genest, dedicada ao ilustríssimo e excelentíssimo senhor Conde de Oeiras, do Conselho de Sua Majestade, gentil-homem da sua cãmara, presidente do senado de Lisboa, cavaleiro professo da Ordem de Cristo, etc., etc., etc., por João Xavier de Matos.

 

Lisboa, na Régia Oficina Tipográfica, ano de 1771

Com licença da Real Mesa Censória

 

 


 

Ilustríssimo eexcelentíssimo senhor,

 

Esta Penélope, que eu tenho a honra de oferecer a Vossa Excelência, temo que seja tão perseguida em Lisboa como já o fora em Ítaca, porque, não tendo aqui nem o esposo nem o filho que a defenda, pode achar Eurimacos e Antinois que a ameacem. Contra estes é que tive a prevenção de buscar um Mecenas que, sendo já tão seme-

 


lhante a seu grande pai, tivesse, ainda nos anos de Telémaco, toda a prudência de Ulisses. E em quem, se não em Vossa Excelência, acharia eu este herói? Vossa Execelência, que tem as virtudes de ambos,  se a proteger, como espero, será esta rainha igualmente feliz, ou colocada no trono, ou sustentada no teatro. Que ele tem civilizado muitos povos, que tem formado o espírito de muitos cidadãos, pouco o custaria provar. Sem lançarmos a vista além do nosso século, achamos nele um exemplo bem digno de seguir-se. Logo que Pedro o Grande fundou Petresburgo, apareceu a Tragédia no teatro daquela capital. Esta foi a lima com que acabou de polir a barbaridade do seu país. Sim, senhor, o teatro nos faz um retrato dos homens, umas vezes como são, outras como devem ser. Ele nos ensaia agradavelmente na prática das virtudes. Pinta-nos o horror do vício, incita-nos à compaixão, tenta-nos, permita-se-me dizê-lo assim, com a ambição do prémio; porque quase sempre olha-

 


mos para ele como para um testemunho do nosso merecimento. Enfim, não sei que alma comunica à sociedade civil. Mas que estou eu dizendo a Vossa Excelência? Vossa Excelência não tem nesta, como em todas as matérias, uma completa instrução? Quem tem a honra de ouvir Vossa Execelência não observa o gosto, o zelo e a vantagem com que Vossa Excelência compreende e explica as utilidades da Tragédia? sem dúvida. Pois que motivos mais justos para eu me calar e oferecer a Vossa Excelência uma obra que se compõe dos retratos do heroismo, para onde já Vossa Excelência caminha, guiado pela mão de outra mais sábia Minerva, e ond esperamos ainda ver colocasdo o nome de Vossa Excelência, debaixo de cujos auspícios só então aparecerá a minha Penélope mais rodeada de amantes que de perseguidores.

Beija reverentemente as mãos de Vossa Excelência.

João Xavier de Matos

 


Actores:

Penélope, mulher de Ulisses

Ulisses, rei de Ítaca

Telémaco, filho de Ulisses

Eurimaco, rei de Samos

Ifise, filha de Eurimaco

Eumé, ministro de Ítaca

Antinois, príncipe sujeiro a Ítaca

Ericleia, aia de Telémaco

Eurinome, confidente a rainha

Argina, confidente de Ifise

Arcaz, confidente de Antinois

Guardas

 

A cena em Ítaca, no palácio de Ulisses

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