Sumário
Folheto da ópera Zenóbia em Arménia (1755)
Ano
1755
Localização
Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra (Misc. 608; 582);Sala Jorge de Faria (JF 19-1-76)
Comentário
O folheto destina-se a integrar o o tomo I colectânea Teatro Dramático ou Colecção das Óperas de Metastásio
Impresso

Lisboa, na oficina Patriarcal de Francisco Luís Ameno, lisboa, 1755

Zenóbia em Arménia

Ópera composta em língua italiana, pelo abade Pedro Metastásio,  poeta Cesário.

Traduzida em português por Fernando Lucas AlvimLisboa, na oficina Patriarcal de Francisco Luís AmenoAno de 1755.

Com todas as licenças necessárias.

 


 

Argumento

 

A constante Zenóbia, filha de Mitrídates, rei de Arménia, amou por muito tempo o príncipe Tirídates, irmão do rei dos Partos. Mas, apesar deste excessivo amor, se viu obrigada, por preceito de seu pai, a casar ocultamente com Radamisto, filho de Farasmanes, rei de Ibéria. Grande prova de virtude deu Zenóbia nesta obediência de filha, mas não a deu menor na fidelidade de esposa.

Morto pouco depois destas ocultas bodas, o rei Mitrídates, foi Radamisto culpado na sua morte. E ainda que desta impustura e traição fosse autor Farasmanes, seu pai, mas porém inimigo, se viu obrigado a fugir para se livrar d ira dos soblevados Arménio. Desamparado de todos, não teve Radamisto na sua desgraça outro companheiro mais que a sua constante esposa. Quis ela resolutamente segui-l, mas não podendo resistir aos trabalhos de tão larga e pricipitada jornada, chegando ao rio Araxes, vendo-se no último extremo, se determinou rogar ao marido que a matasse, pois mais queria perder a vida que cair na mão dos seus perseguidores, que para aquela parte já vinham chegando. Nesta flição se achava o infeliz Radamisto quando ao longe viu aparecer as bandeiras de Tirídates, o qual, ign orando o oculto himeneu

 


  

De Zenóbia, vinha com esperanças de consegui-la. Reconheceu Radamisto as inimigas insígnias e, arrebatado de furiosos ciúmes, paixão nele dominante, puxando por um punhal desesperadamente feriu a consorte e se feriu a si, julgando-se igualmente incapaz de vê-la nos braços do seu competidor, como de viver ele, morrendo Zenóbia. Como os golpes foram guiados de uma natural repugnância, não foram as feridas mortais. Caíram ambos semi-vivos, um na margem, outro nas águas do Araxes. Ele, entre as ervas que havia na margem do rio, ficou escondido à diligência dos perseguidores e depois foi socorrido por um pescador piedoso. Ela, arrebatada da corrente das águas foi vista e livre por uma piedosa pastora, que a conduziu à sua cabana e a curou pela sua mão.

Aqui principia a acção desta obra, na qual o abandonado Tirídates, admirado das ilustres provas de Zenóbia para com seu esposo, cheio de uma virtuosa iemulação, quando podia possuí-la, oprimir a Radamisto e fazer-se senhor do reino de Arménia, generosamente restituiu Zenóbia ao seu esposo, a este a liberdade e a ambos o reino.

 


 

Pessoas:

Zenóbia, princesa de Arménia, mulher de Radamisto

Radamisto, príncipe de Ibéria

Tirídates, príncipe dos partos, amante de Zenóbia

Egles, pastora, que depois se descobre irmã de Zenóbia

Zopiro, fingido amigo de Radamisto, amante de Zenóbia

Mitranes, confidente de Tirídates

 

Acompanhamento:

Sequazes de Zopiro

De nobreza e soldados com Tirídates

 

Protestação

 

As palavras Deus, divindade, fado, etc., são expressões poéticas e não de quem as escreveu, que protesta ser verdadeiro católico.

 

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