- Sumário
- Folheto da história cómica de Céfalo e Pocris (1737)
- Ano
- 1737
- Localização
- Sala Jorge de Faria (JF 2-7-107)
- Impresso
- Lisboa, na oficina da música e da sagrada religião de Malta, 1737
História cómica de Céfalo e Pocris que no Teatro público da Casa da Mouraria se há-de representar neste ano de 1737, oferecida a todos os curiosos de bom gosto por seu autor Agostinho da Silva.
Lisboa ocidental, na oficina da música e da sagrada religião de Malta, debaixo da protecção dos patriarcas S. Domingos e S. Francisco, 1737
Com todas as licenças necessárias
Antilóquio
Damos a ler a história cómica de Céfalo e Pocris na forma em que, para entretenimento dos curiosos, a fazemos representar. Dela trataram os mais famigerados e melhores mitológicos. Tais foram João Bocaccio: Lib. 13. Gen. Deor. Natal Comite Lib. 2. Myt. Baviz Text. in in offic. tit. Venatores Ouvidio Lib 7. Metam, e outros que os referidos escritores citam e seguem.
Muitos deles, obrigados de gravíssimos fundamentos, afirmaram ser a mencionada história verdadeira e acontecida no ano de 1485 da criação do mundo, sendo quarto rei de Atenas Erictónio, um dos interlocutores do seguinte acto. Porém, não obstante, que sempre no essencial nos conformamos com a verdade dos sucessos, contudo, em alguns acidentes nos valemos de acções que (segundo o insigne D. Rafael Bluteau dictione Fabula) não são verdadeiras nem verosímiles mas com curiosa novidade admiráveis, a fim de servirmos aos inspectores com visualidades que lhes satisfaçam os agrados e encham os olhos.
Não sem grande proporção e coerência se atribuem as transformações conteúdas
na história a Proteu, porque de semelhantes metamorfoses foi executor tão exacto que por ocasião delas chegou a persuadir-se a cega gentilidade que em suas mãos trazia as chaves do mar e que presidia a todas as criaturas da terra.
Só aos curiosos de bom gosto, e não aos que o têm depravado, dedicamos e oferecemos esta obra, porque só podem ser árbritos do seu merecimento aqueles que não inficionados de alguma paixão oposta à verdade se constituem juízes incorruptos. A estes, pois (que ordinariamente sabem distinguir uma de outras locução séria da jocosa, a rasteira da sublime, e que conhecem a naturalidade com que as frases se aplicam às figuras que aparentemente as proferem), suplicamos que se dignem de receber o pequeno obséquio com que o nosso bom ânimo os lisonjeia, e a todos os que advertirem nos nossos errros, voluntariamente pedimos a correcção e a desculpa.
Figuras:
Céfalo, cavalheiro de Tebas
Bóreas, vice-rei de Flegra
Proteu, habitante de Flegra
Erictónio, quarto rei de Atenas
Pocris, princesa de Atenas
Orítia, irmã de Pocris
Diana, deusa com um numeroso coro de ninfas
Cecrópia, graciosa, criada de Pocris
Carolo, 1º gracioso, criado de Erictónio
Caco, 2º gracioso, criado de Céfalo
Velha, graciosa, mãe de Cecrópia
Coro de Música, soldados e marinheiros