- Sumário
- Folheto da exposição do espectáculo destinado para o benefício da 1.ª dama de canto, Carolina Massei (1832)
- Ano
- 1832
- Localização
- Biblioteca da Ajuda (154-IV-5/17)
- Impresso
- Porto, na Tipografia da Viúva Álvares Ribeiro Filho, 1832
Exposição do espectáculo destinado para o benefício da 1.ª dama de Canto , Madame Carolina Massei, no Real Teatro de São João.
Dia 15 de Fevereiro
O beneficiado, possuído dos constantes desejos que sempre teve de apresentar, aos seus protectores, divertimentos, se não dignos deles, ao menos susceptíveis de os entreter e recrear, não foi para este dia menos solícito. Feliz ele se os resultados corresponderem aos seus fins.
A ouvertura será a magnífica sinfonia da ópera D. Inês de Castro, finda que seja os actores representarão o excelente drama
Dever e natureza ou O filho sentenciando o pai .
O beneficiado, recorrendo a vasta Colecção das Obras do exímio poeta António Xavier, fez escolha desta, por se persuadir que não é em nada inferior àquelas que têm merecido a aprovação de um público entendedor.
Se um Sultão generoso, se a Escrava de Mariemboury, Minas de Polónia, Zulmira e outras tantas têm obtido um decidido e geral acolhimento, esta parece não ser dele menos credora.
Fazer a descrição das suas
interessantes cenas seria prevenir o espectador e roubar-lhe o gosto da surpresa. Dir-se-á em resumo que, apesar dos apurados lances que a cena apresenta, jamais se observa outra coisa que não seja o desempenho do dever e o triunfo da natureza.
Findo que seja o drama, apresentar-se-á o novo malabar a entreter o público com os seus difíceis equilíbrios, sendo deles os mais notáveis:
O jogo dos pomos;
O das facas;
O dos pratos, bem como o dificílimo equilíbrio da escada mecânica
e das três espingardas, terminando com a admirável sorte de engolir duas espadas.
A este entretenimento há de seguir-se uma excelente ária cantada por Carolina Massei.
Terminada que seja, aparecerá de novo sobre a cena o mesmo Malabar fazendo o carácter de embriagado sobre as pernas de pau.
A galante farsa O hospital dos doidos há-de pôr fim ao divertimento.
Dia 28 de Fevereiro
A beneficiada possuída dos constantes desejos que tem de apresentar aos seus protectores um divertimento digno de toda a aprovação, escolheu o seguinte:
A ouvertura será a magnífica sinfonia da ópera D. Inês de Castro. Finda que seja, os actores portugueses representarão o excelente drama
O sultão magnânimo e generoso .
No fim do 1.º ao 2.º acto, a beneficiada cantará o insigne rondó de Eduardo e Cristina, acompanhado de coros.
Findo que seja o rondó aparecerá o novo malabar, fazendo os difíceis equilíbrios, sendo deles os mais notáveis:
O jogo dos pomos;
O das facas;
O dos pratos, bem como o difícil equilíbrio de duas cadeiras com um menino sentado, o difícil equilíbrio das três espingardas, terminando com a admirável sorte de engolir duas espadas.
Findo que seja o drama, aparecerá de novo o malabar fazendo o dificultoso exercício militar sobre uma perna de pau.
Seguir-se-á o carácter de embriagado sobre as ditas pernas de pau e
findará com um dueto dançado por ele e outro anónimo sobre as pernas de pau.
Segue-se a farsa que se intitula Os pares de França, em que a beneficiada cantará a belíssima ária de Matilde de Chabran.
Eis o divertimento que a beneficiada tem a honra de expôr aos seus ilustres protectores, a quem deseja agradar. Principiará às 7 horas.
Porto.
Na Tipografia de Viúva Álvares Ribeiro Filho [1832]
Com licença