- Sumário
- Comentário de Robert Southey sobre a ópera italiana em Portugal (1797)
- Ano
- 1797
- Comentário
- É a carta XXVI. A primeira edição é de 1797: Bristol, Joseph Cottle; London, G.G. & J. Robinson, & Cadell & Davies, pp. 492-493. A tradução é de Rui Vieira Nery
- Impresso
- Robert Southey, Letters written during a short residence in Spain and Portugal, Bristol, printed by Bulgin & Rosser, for Joseph Cottle, (Bristol) & G.G. & J. Robinson, & Cadell & Davies, London, 1797, pp. 491-493 (2nd edtition, Bristol, printed by Biggs and Cottle for T. N. Longman, and O. Rees, Paternster-row, London, 1799, pp. 345-346)
- Menções
Laureano Carreira, O teatro e a censura em Portugal na segunda metade do século XVIII, Lisboa, Imprensa Nacional, 1988, p. 411; Rui Vieira Nery
Letters written during a short residence in Of the Portuguese music can I give no account. I heard the Siege of Gibraltar lately, and amused myself by reading what the harpsichord expressed. ?The French and Spaniards prepare for the attack - The English prepare - Now the batteries begin. - Now Elliot fires his red hot balls. - Now the batteries blow up. - Cries of the wounded and dying. - Now the Spaniards try to save themselves by swimming.
Mr. Curtis goes to assist them. -The prisioners are brought into the fortress. -The English express their joy by the following country dance. - They invite the prisoners to join in the dance. - Prisoners and English embrace and dance together. - Every one departs to his home.
endure them; but how the diseased man shrinks when you touch his sores!
Sobre a Música portuguesa não posso dar nenhuma descrição. Ouvi recentemente O Cerco de Gibraltar e diverti-me a ler o que o cravo descreve: - Os franceses e espanhóis preparam-se para o ataque. - Os ingleses preparam-se. - Agora começam a soar as baterias. - Agora Elliot dispara as suas balas em brasa. - Agora as baterias explodem. - Gritos dos feridos e dos moribundos. - Agora os espanhóis tentam salvar-se a nado?.
- O Senhor Curtis procura assisti-los. - Os prisioneiros são trazidos para dentro da fortaleza. - Os ingleses exprimem a sua alegria através da seguinte contradança. - Convidam os prisioneiros a juntarem-se à dança. - Os prisioneiros e os ingleses abraçam-se e dançam uns com os outros. - Toda a gente parte para casa.
A Ópera italiana, cuja natureza absurda exige tamanha iniquidade para se poder suportar, tem aqui, em geral, pouca assistência. A actual Rainha não permite que nenhuma mulher se apresente em cena, e esta medida, na realidade produto dos seus ciúmes, foi apresentada como derivando da sua preocupação em manter a moral pública. Desde que aqui cheguei foi dada autorização a uma bailarina para se exibir, e o teatro, consequentemente, estava cheio. Onde estava a preocupação de Sua Majestade em manter a moral pública quando autorizou esta exibição? Nenhuma diversão que não beneficie o espectador e que perverta o executante deveria ser permitida. Estas proibições espartanas seriam consideradas despóticas nos nossos estados livres modernos, onde as leis sumptuárias são vistas como uma violação da liberdade: uma constituição saudável pode
suportá-las, mas como o homem doente se encolhe quando se lhe toca nas chagas!