Sumário
Carta de X para Piaggio (25 de Julho de 1768)
Ano
1768
Biblioteca/Arquivo
Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Cota
AHMF - Casa Real, Livro 2996, ff. 11-12

Julho, 25

 
Para Piaggio,

 
Parece-me que a última carta que recebi de vossa mercê é de 30 de Maio passado, e como fora da presente que serve de resposta à sua estimadíssima, lhe escrevo outra meramente do serviço, a respeito


das plumas e das guarnições que são precisas para o serviço do Real Teatro, remetendo as amostras destas últimas pelo filho do Capitão Scarnichia, que está à carga para partir, e as plumas pela minuta inclusa na dita carta de serviço.
Em quanto às quatro talhas sem mangas, que vossa mercê agora deseja, com todas as cláusulas na sua carta ponderadas e expressas, entrarei logo nesta diligência, sem que deixe de ser gostosa para mim toda a ocasião que tiver de dar-lhe gosto, o que não só devo fazer de boa vontade, mas também de boa justiça, pelo muito trabalho que lhe dou com as minhas encomendas.
Pelo Capitão Friiz recebi o queijo Stravecchio com as carnes salgadas e alcaparras, que tudo era muito bom e excelente e, ultimamente, recebi pelo Capitão Scarnichia, os dois fardos de algodão que ainda não vi, porque foi para a Trafaria fazer quarentena, e ser género do Levante e de natureza de nele se conservar toda a ruindade do mau ar. Os cantinos logo me serão entregues, e creio serão muito bons pelas informações, porque eu não tive ainda tempo de os experimentar. Também recebi o último fardo dos guardanapos, em que convém não falarmos, porque nem eu quero mortificar a vossa mercê, que me favorece com tanto trabalho e eficácia, nem isso tem já remédio.
Quanto às despesas miúdas, de que vossa mercê quer que eu lhe dê conta em quanto à sua encomenda das talhas remetidas, peço-lhe que não fale mais nisto, porque fora das cinco moedas que elas custaram, não me deve mais coisa alguma. Nem isto é bastante para vossa mercê deixar de lançar nas facturas das minhas todas as suas despesas, porque ainda assim vem vossa mercê a dar-me de mais o prémio que não leva e permite o estilo do comércio.
Faça-me vossa mercê a mercê de mandar-me a continha destas últimas encomendas para a sua cabal satisfação. E para não ter ocioso o seu grande préstimo, tomo a liberdade de lhe pedir de novo me queira mandar duas arroubas do nosso costumado chocolate, e uma racolta de sementes de hortaliças finas, com as clarezas costumadas dos nomes e
quantidades, para bem fornecer uma horta de suficiente tamanho. Para o correio que vem, escreverei a vossa mercê para lhe certificar a remessa das amostras das guarnições pelo sobredito filho do Scarnichia. Esta não serve de mais. Deus guarde a vossa mercê muitos anos. Lisboa, 25 de Julho de
1768
Amigo e obrigado venerador


P.S.

Da carta do serviço verá vossa mercê a razão porque não teve efeito a remessa das amostras das guarnições pelo filho do Scarnikia.

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Julho 25                       Para Piaggio

                        Pareceme, que a ultima Carta que recebi de

vm.ce he de 30 de Mayo passado. E como fora

                        da prezente, que serve de reposta á sua estimadissima,

                        lhe escrevo outra meramente do serv.º, a respeito


                        das plumas, e das guarniçoens, que sam precizas p.ª

                        o serviço do Real Teatro, remetendo as amostras destas

                        ultimas pello filho do Capitam Scarnichia, que está á

                        Carga p.ª partir, e as plumas pela minuta incluza na

                        Dita Carta de Serviço.

                                   Em quanto ás quatro talhas sem mangas, q.

                        vm.ce agora dezeja, com todas as clauzullas na sua Car=

                        ta ponderadas, e expressas, entrarei Logo nesta deligencia,

                        sem que deixe de ser gostoza p.ª mim toda a occazi=

                        am que tiver de darlhe gosto; o que náo só devo

                        fazer de boa vont.e mas tambem de boa justiça, p.lo

                        m.to trabalho que lhe dou com as minhas incomendas.

                                   Pelo Cap.am Friiz recebi o queijo Stravecchio

                        com as Carnes Salgadas, e alcaparras, que tudo

                        era m.to bom, e excelente, e ultimam.e recebi pello Cap.am

                        Scarnichia os dous fárdos de algudam que ainda nam

                        vi, porque foy p.ª a Trafaria fazer quarentena, e ser

                        genero do Levante, e de natureza de nelle se conservar

                        toda a ruindade do mau ar. Os Cantinos Logo me se=

                        ráo entregues, e creyo faram m.to bom pellas informaçóes

                        porque eu náo tive ainda tempo de os exprimentar.

                        Tambem recebi o ultimo fardo dos guardanapos em q.e

                        convem náo falarmos, porque nem eu quero mortificar

                        a vm.ce, que me favorece com tanto trabalho, e efficacia,

nem isso tem já remedio.

            Quanto ás despezas meudas, de que vm.ce quer

que eu lhe dê conta em quanto á Sua encomenda das

talhas remetidas, pesso he que náo fale mais nisto, por

que fora das cinco moedas, que ellas custaráo, náo

me deve mais couza alguma. Nem isto he bastante

p.ª vm.ce deixar de Lançar nas facturas das minhas

todas as suas despezas; porque ainda assim vem vm.ce

a darme de mais o premio que náo Leva, e permitte

o estilo do Comercio.

            Façame vm.ce a mercé de mandarme a

Continha destas ultimas encomendas, pª a sua Ca=

bal satisfaçam. E p.ª náo ter ociozo o seu grande

prestimo tomo a liberdade de lhe pedir de novo me

queira mandar duas arroubas do nosso costumado cho=

colate, e huma racolta de sementes de hortalicas

finas, com as clarezas costumadas dos nomes, e quan=


tidades, p.ª bem fornecer huma horta de sufficiente

tamanho. Para o Correyo que vem escreverei a

vm.ce p.ª lhe Certificar a remessa das amostras das

guarniçoens pello sobred.º filho do Scarnichia. Esta

náo serve de mais. D.s G.e a vm.ce m.s an.s Lisboa

25 de Julho de 1768
                                                   
Am.º, e obrig.do vener.or

 

P.S. Da Carta do Serviço

verá vm.ce a razáo porque náo

teve effeito a remessa das amos=

tras das guarniçoes pelo f.º do

Scarnikia.