Sumário
Carta de Vicente de Sousa Coutinho para Luís da Cunha com informação sobre o Teatro (13 de Agosto de 1764)
Ano
1764
Biblioteca/Arquivo
Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Cota
Ministério dos Negócios Estrangeiros, Livro 673, pp. 71-72

Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor,

 

Ontem cheguei a esta capital, e fazendo imediatamente a diligência por saber se havia Navio no Havre, pronto a partir para Lisboa, me disseram havia somente um, que meteria a vela no fim de Setembro, pelo qual remeterei a comissão que Vossa Excelência me encarrega, para o Teatro de el rei nosso senhor. Antes deste tempo, ainda a haver embarcação, não poderia expedir-se, pois não se acha tudo feito em Paris, e não pude conseguir mo dessem acabado se não para o dia treze. Também não me foi possível fazer com que diminuissem o preço, mas sendo a vara de França mais longa que a de Portugal, se ganha


o que cresce na medida.

O Duque de Choiseul me mostrou no dia em que saí de Compiegne, o ofício que tinha recebido naquela manhã do Cavalheiro de S. Priest, no qual lhe dizia era falsa a notícia que tinha corrido da nova aliança que contraíamos com a grande Bretanha. Este Ministro, nas suas relações, não altera a verdade, e ela basta para dar a conhecer à Europa a suprema justiça que reina em todas as sábias disposições de el rei nosso senhor.

O Marquês de Paulmy, Embaixador em Varsóvia, chegou a Compiegne, e foi apresentado a Sua Majestade pelo Duque de Praslin.

Segunda-feira prestou o juramento o Cardeal de Bernys, pelo Arcebispado de Aby, na Capela Real.

Os Saletinos tomaram dous navios franceses, que vinham ricamente carregados da Martinica, de açúcar e café, e recea-se que um corsário de Tetuão fizesse outra presa.

Sua Majestade Chr. ficou com perfeita saúde, e partirá de Compiegne quinta-feira, e a rainha na sexta, 17 do corrente. Deus guarde a Vossa Excelência muitos anos. Paris, 13 de Agosto de 1764.

Ilustríssimo e Excelentíssimo Senhor D. Luís da Cunha
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Ill.mo e Ex.mo Snr.

 

Hontem cheguei a esta Capital, e fazendo immedia-

tamente a diligencia por saber se havia Navio no Havre prom-

pto a partir para Lisboa, me disserão havia somente hum, que

meteria a vella no fim de Setembro, pelo qual remetterei a com-

missão que V. Ex.ª me encarrega, para o Theatro de El Rey

Nosso Senhor. Antes deste tempo, ainda a haver embarcação, não

poderia expedir-se, pois não se acha tudo feito em Paris, e não

pude conseguir mo dessem acabado, se não para o dia treze. Tã-

bem não me foi possivel, fazer com que diminuissem o preço, mas

sendo a vara de França mais longa, que a de Portugal, se ganha

o que cresce na medida.

O Duque de Choiseul, me mostrou no dia em que sahi

de Compiegne, o officio que tinha recebido naquella manhân do

Cavalheiro de S. Priest, no qual lhe dizia era falsa a noticia,

que tinha corrido, da nova alliança que contrahia-mos com a

grande Bretanha. Este Ministro nas suas relaçoens, não al-

tera a verdade, e ella basta para dar a conhecer à Europa, a

suprema justiça, que reyna em todas as sabias disposiçoens

de El Rey Nosso Senhor.

O Marquez de Paulmy Embayxador em Varsovia

chegou a Compiegne, e foi apresentado a S. Mag.e pelo Duque

de Praslin.

Segunda feira prestou o juramento o Cardeal de Bernys,

pelo Arcebispado de Aby, na Capella Real.

Os Saletinos tomarão dous Navios Francezes, que vi

nhão ricamente carregados da Martinica, de assucar, e caffé,

e recea-se que hum Corsario de Tetuão fizesse outra preza.

S. Mag.e Chr. ficou com perfeita saude, e partirá de Compie-

gne quinta feira, e a Raynha na sexta 17 do Corrente. Deos gu-

arde a V. Ex.ª m.s ann.s Paris 13 de Agosto de 1764.

Ill.mo e Ex.mo Snr.

D. Luiz da Cunha