- Sumário
- Carta de João António Pinto da Silva para João Piaggio (8 de Agosto de 1774)
- Ano
- 1774
- Biblioteca/Arquivo
- Arquivo Nacional da Torre do Tombo
- Cota
- AHMF - Casa Real, Livro 2997, ff.15-16
- Comentário
- Veja-se a carta de 18 de Junho de 1773
Veja-se a carta de 18 de Julho de 1773
Para João Piaggio,
Pelas minhas cartas que a vossa mercê dirigi, com datas de 18 de Junho e 18 de Julho do presente ano, fiz certo a vossa mercê de haver chegado a este porto o navio inglês, denominado Maria Teresa, que conduziu e entregou as fazendas que vossa mercê nele fez carregar, por conta de Sua Majestade, para uso dos reais teatros do mesmo senhor.
Agora faço também a vossa mercê certo haver recebido outra carta datada de 20 de Junho, e outra de 4 de Julho próximos precedentes, e ambas com os duplicados conhecimentos do que vossa mercê também mandou carregar no navio Despacho, para o uso dos mesmos reais teatros.
Igualmente, recebi também as respectivas facturas de todas as fazendas que os sobreditos navios trouxeram, que todas foram descarregadas com bom sucesso e sem avaria alguma.
Devo participar a vossa mercê, com a sinceridade que costumo, e para servir para seu e meu governo, que todas as sobreditas fazendas que vossa mercê remeteu são de boas qualidades. Porém, no que pertence aos preços, não posso dispensar-me de dizer a vossa mercê que as fazendas de seda vêm sumamente carregadas, e quando eu entendia que, compradas aí, por conta de Sua Majestade, carregando-se por conta e risco do mesmo senhor, e não pagando os direitos desta alfândega, saíssem muito mais baratas que as que aqui se compram, vejo tudo pelo contrário, porque nas sobreditas facturas vêm os cetins carregados, uns a setecentos e quinze, até setecentos e oitenta e cinco réis, e os outros de quinhentos réis, até quinhentos e quarenta e cinco réis, ao mesmo tempo que aqui os mando comprar às lojas dos mercadores, a seiscentos e cinquenta réis, e a quatrocentos
réis, havendo os ditos mercadores feito as despesas dos direitos da alfândega, fretes e risco, que tudo deverá ceder a favor de Sua Majestade.
Igualmente, acho o mesmo excesso nas peças de Zandali ou Lustrini, que vêm a sair aqui de quatrocentos e sessenta réis, o côvado, até quinhentos e quinze réis.
Pelo que pertence às outras fazendas de véus, pratas, ouros, jóias falsas e pérolas da mesma qualidade, não posso a vossa mercê fazer igual demonstração, porque não tenho uso das compras delas nesta Corte, mas devo persuadir-me que os seus respectivos preços corresponderão também aos outros das sedas.
Pela minha carta de 28 de Dezembro de 1773, em que remeti a vossa mercê a relação para esta encomenda, lhe preveni que não era preciso que as fazendas fossem das melhores qualidades, porque no uso dos teatros só decidiam as cores, e não importava que as sedas tivessem mais ou menos corpo, e que também não era de consequência que tivessem alguma pequena avaria de mofo, contanto que esta diminuição de qualidade, ou pequena avaria, cedesse a favor de quem comprava.
Nesta parte, vejo também que não se satisfez a minha recomendação, porque os correspondentes a quem vossa mercê encarregou estas encomendas não atenderam a ela e não devo agora discorrer a causa.
Não estranhe vossa mercê a sinceridade com que lhe exponho estas matérias, porque o zelo com que devemos servir a nosso augustíssimo amo não permite que deixe de expressar-lhe o que sinto, e estou bem persuadido que a honra de vossa mercê há-de certamente querer todas estas certas notícias para saber os correspondentes de
quem deve servir-se e aqueles que melhor satisfazem as suas obrigações.
Estimo quanto devo a boa saúde de vossa mercê e desejo lhe continue sempre acompanhada das maiores felicidades, servindo-se da que presentemente me assiste em tudo que for do seu serviço e agrado. Deus guarde a vossa mercê muitos anos. Nossa Senhora da Ajuda, a 8 de Agosto de 1774
Agosto-8- Para João Piaggio
Pelas minhas cartas, que a Vm.ce dirigi, com dattas
de 18 de Junho, e 18 de Julho do prezente anno, fiz certo
a VM. de haver chegado a este Porto o Navio Inglez de-
nominado Maria Thereza, que conduzio, e entregou
as Fazendas que VM. nelle fez carregar por coonta de
S. Mag.e para uzo dos Reaes Theatros do mesmo Senhor.
Agora faço tambem a VM. a certo haver recebi-
do outra Carta dattada de 20 de Junho, e outra de 4
de Julho proximos precedentes; e ambas com os dupli-
cados conhecimentos do que VM. tambem mandou
carregar no Navio Despacho para o uzo dos mesmos
Reaes Theatros.
Igualmente recebi tambem as respectivas
Facturas de todas as Fazendas, que os sobreditos
Navios trouxeram, que todas foram descarregadas
com bom sucesso, e sem avaria alguma.
Devo participar a VM. com a cinceridade
que costumo, e para servir para seu, e meu gover-
no, que todas as sobreditas Fazendas, que VM. re-
meteu, sam de boas qualidades; porem no que
pertence a os pressos, não posso dispensarme de
dizer a VM., que as Fazendas de Ceda vem sum-
mamente Carregadas; e quando eu entendia, que
compradas ahi por conta de S. Mag.e , carregan-
dose por conta e risco do mesmo Senhor, e não pa-
gando os Direitos desta Alfandega sahissem m.to
mais baratas, que as que aqui se compram, vejo
tudo pelo contrario, porque nas sobreditas Facturas
vem os sitens carregados, huns a sette centos e
quinze, até sette centos e outtenta e cinco reis;
e os outros de quinhentos reis, até quinhentos e
quarenta e cinco reis; ao mesmo tempo que aqui
os mando comprar ás Logeas dos Mercadores a
seis centos e concoenta reis, e a quatro centos
re
reis, havendo os dittos Mercadores feito as Des-
pezas dos Direitos da Alfandega, Frettes, e Risco, que
tudo devera ceder, a favor de S. Mag.e .
Igualmente acho o mesmo excesso nas Pes-
sas de Zandali; ou Lustrini, que vem a sahir a-
qui de quatro centos e sessenta reis o Covado até
quinhentos e quinze reis.
Pelo que pertence ás outras Fazendas de
Véos, Prattas, Ouros, Joyas falças, e Perolas da mes-
ma qualidade, não posso a VM. fazer igual demons-
tração, porque não tenho uzo das Compras dellas
nesta Corte; mas devo persuadirme que os seus
respectivos preços corresponderão tambem a os outros
das cedas.
Pela minha carta de 28 de Dezembro de 1773
em que remeti a VM. a relaçam para esta encomenda
lhe previni, que não era precizo que as Fazendas
fossem das milhores qualidades; por que no uzo dos
Theatros só dicidiam as cores, e não importava
que as cedas tivessem mais, ou menos Corpo, e
que tambem não era de Consequencia, que tivessem
alguma pequena avaria de mofo, com tanto
que esta diminuiçam de qualidade, ou pequena
avaria, cedesse a favor de quem Comprava.
Nesta parte vejo tambem, que não se
satisfez a minha recomendação; porque os cor-
respondentes a quem VM. encarregou estas en-
comendas não attenderão a ella, e não devo ago-
ra discorrer a cauza.
Não estranhe Vm.ce a cinceridade com
que lhe exponho estas materias; porque o zello
com que devemos servir a Nosso Augustissimo
Amo, não permitte que deixe de expressarlhe
o que sinto, e estou bem persuadido, que a hon-
ra de VM. ha de certamente querer todas estas
certas noticias para saber os correspondentes de
quem
1774 quem deve servirse, e aquelles que melhor sa-
tisfazem as suas obrigaçoens.
Estimo quanto devo a boa saude de VM.
e dezejo lhe continue sempre acompanhada das
mayores filicidades, servindose da que prezente-
mente me assiste em tudo que for do seu serviço,
e agrado. Deos G.e a VM. m.s anns. Nossa Snr.ª
da Ajuda a 8 de Agosto de 1774